quinta-feira, novembro 16, 2017

A adoração

Por Romano Guardini, “Introdução à vida de oração”, p. 62-68.

 
A ADORAÇÃO 

O homem inclina-se perante essa grandeza. Mas não o faz apenas de uma forma material, não cede perante o maior apenas porque é menor; mas inclina-se a partir da sua intimidade, na oração, com piedade e devoção. E não o faz apenas até um determinado ponto, ou de modo profundo e com prontidão; mas de forma total e definitiva, como criatura diante do seu Criador, isto é, adorando-o. Adorar é viver internamente o fato de Deus ser simplesmente “grande” e o homem ser simplesmente “pequeno”; do fato de Deus existir “por si e em si” e o homem existir “Por Deus e em Deus”. Aquele que adora diz: “Tu és Deus e eu sou homem; és o ser verdadeiro, existes por Ti mesmo de modo essencial e eterno; eu existo por Ti e diante de Ti. Tu tens todo o poder que dimana do ser, a plenitude do valor, a sublimidade do sentido; és Senhor de Ti mesmo, bastas a Ti mesmo. O sentido da minha existência, ao contrário, procede de Ti, vivo da Tua luz, e em Ti se encontram as medidas da minha existência”. 

quinta-feira, novembro 09, 2017

A corrupção da virtude

Por Manoel Augusto Santos, “A alegria da misericórdia”, p. 55-59.

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Depois do regresso do filho pródigo recomposto em seu exterior, começaram a celebrar a festa. Poderia ter encerrado aí a parábola. O filho pródigo voltou e a casa se encheu de alegria. Poderia ter-se repetido a frase final das outras parábolas: assim acontece no céu cada vez que se converte um pecador. Ponto final. Um final lógico, redondo e suficiente. Contudo, a parábola segue. Há uma segunda parte, e o que nela é contado resulta algo obscuro, complicado, triste. 
A mesa está servida. Porém, há uma cadeira vazia. Falta o irmão mais velho. Aos que já ouviram ou leram várias vezes a parábola, podem aparecer fases diversas de entendimento sobre esse filho: 1ª fase, pensar que ele tinha razão, afinal, ele foi fiel, cumpridor; 2ª fase, pensar que ele estava errado e identificar nos outros uma semelhante atitude; 3ª fase, pensar que ele estava errado e identificar em si mesmo, ao menos ocasionalmente, um comportamento parecido. 
O filho mais velho é o quadro de ciúme, inveja, amargura, suscetibilidade e irritação infantis. A aversão que demonstra ao seu irmão é um ressentimento torpe. E demonstra que cumpriu as tarefas com ânimo mercenário. Satisfeito consigo mesmo e convencido de sua honestidade, crê-se num pedestal donde pode se orgulhar e julgar. Ofendido pelos gestos do Pai, não sabe participar da alegria do retorno de seu irmão, pois tem endurecido o coração.  
Convém recordar outra parábola de Jesus: a do publicano e do fariseu1. O filho pródigo e o filho fiel, o publicano e o fariseu: dois pares quase idênticos. Ora, Jesus expôs a parábola do filho pródigo com um propósito muito concreto. Foi resposta à atitude adotada contra ele pelos fariseus: censuram-no por acolher publicanos e pecadores. Como o filho pródigo, o publicano se reconhece pecador ante Deus. E o fariseu: não sou como os outros. Orgulhosa confissão parecida à do filho mais velho. Os fariseus estiveram na principal mira de Jesus. Não por desprezo, mas para tentar quebrar a casca.  

quinta-feira, novembro 02, 2017

O que é o purgatório?

Por F. Pollien; J. Tissot, “Vida interior simplificada e reconduzida ao seu fundamento”, p. 198-201.

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Nada de impuro entrará no céu. – “Oh! minha filha”, escreve São Francisco de Sales a Santa Joana, “como desejo que estejamos, um dia, totalmente aniquilados em nós mesmos, para viver inteiramente para Deus, e que nossa vida esteja escondida com Cristo em Deus! Oh! Quando já não seremos nós a viver, mas Cristo vivendo em nós? Vou agora rezar um pouco nessa intenção, suplicando ao soberano coração do Salvador por nosso coração”. 

Com que energia eu deveria fazer meus os desejos de São Francisco de Sales! Pois essa purificação total do ser humano, essa transferência de todo o meu “eu” ao reino da dileção do Filho de Deus, que me torna digno e capaz de participar da herança dos Santos na luz (Cl 1, 12), deve realizar-se antes de minha entrada no céu. Ninguém lá entrará sem que esse trabalho esteja terminado. 

O que não for feito neste mundo, será feito no purgatório; com a condição, porém, de que o trabalho tenha sido começado, pois o pecado mortal condena eternamente ao inferno. É preciso passar pela morte para obter a vida. 

quinta-feira, outubro 26, 2017

Seguir Cristo: um projeto de vida apaixonante


Por Paulo Monteiro Ramalho, “Seguir Cristo”, p. 13-18.

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As obras de Jesus Cristo foram tão impressionantes que simplesmente levaram os historiadores a dividirem a história do mundo em duas partes: antes do seu nascimento e depois do seu nascimento. 
Nenhum líder deixou até hoje tanta marca, causou tanta impressão aos olhos humanos. Seus gestos, seu olhar, suas palavras e ações ficaram gravadas para sempre no coração dos homens. Para citar apenas uma obra, pois precisaríamos de muitos livros para falar de todas elas, podemos dizer que a maior de todas foi ter trazido à terra a semente para ser criada a civilização das civilizações: a civilização do amor; e ter aberto através do amor as portas para o reino eterno do amor, do amor infinito, na outra vida. Cristo não só trouxe este amor, mas viveu-o em plenitude amando a cada um de nós com o amor mais perfeito que possa existir. Nunca um amor foi vivido e manifestado com tanta grandeza. 
E para Jesus viver este amor, Ele também assentou as suas bases, que são verdadeiramente revolucionárias. O amor nunca foi visto da forma como Jesus ensinou! O amor nunca foi elevado a tamanha altura, a tamanha beleza. Para a sua fundamentação, teve que assentar outra ideia, outro conceito revolucionário, que também nunca foi visto dessa forma: o conceito de dignidade. 

quinta-feira, outubro 19, 2017

Casamento e santidade

Por Eugene Boylan, “Amor sublime”, p. 371-391.

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Nenhum novelista romântico, nenhum poeta idealista e nenhum sonhador teimoso foi capaz de estabelecer um ideal romântico para as pessoas casadas como o fez Nosso Senhor pela pena de São Paulo: “As mulheres sejam submissas a seus maridos, como ao Senhor, porque o marido é cabeça da mulher, como Cristo é cabeça da Igreja, seu corpo, da qual Ele é o Salvador. Ora, assim como a Igreja é submissa a Cristo, assim sejam também as mulheres em tudo a seus maridos. Maridos, amai a vossas mulhe­res, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santi­ficá-la, purificando-a pela água do batismo com a palavra, para apresentá-la a si mesmo toda gloriosa, sem mácula, nem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível. Assim os maridos devem amar as suas mulheres, como a seu pró­prio corpo. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. Certa­mente, ninguém jamais aborreceu a sua própria carne, mas nutre-a e cuida dela, como Cristo faz à Sua Igreja, porque somos mem­bros de Seu corpo. Por isso, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois constituirão uma só carne. Este mistério é grande, quero dizer, em relação a Cristo e à Igreja” (Ef 5,22-32).
Em outras palavras, o amor e a fidelidade mútua de Cristo e da Sua Igreja não são só modelos propostos por Deus para o amor e a fidelidade mútua entre marido e mulher, mas a sua união é também um “sacramento” dessa união de Cristo e da Sua Igreja.
Escrevendo sobre este mesmo assunto, Pio XI lembra aos esposos que o amor de Cristo à Sua Igreja deve ser o seu modelo. E continua: “Esta é a regra que estabeleceu São Paulo, quando disse: Esposos, amai vossas esposas como Cristo Amou a Igreja. Ora, Jesus uniu-se à Igreja com imensa caridade, não com os olhos na própria comodidade e conveniência, mas só no bem de sua Esposa”.
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