quinta-feira, outubro 11, 2018

As imagens de Maria

Por M. J. Scheeben, “A Mãe do Senhor”, pág. 24 a 26.
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        Do Antigo Testamento extraem-se muitas imagens que ilustram a nossa doutrina. São quase todas de uso corrente entre os Padres a partir do século IV, e foram empregadas desde então de maneira unânime e constante. Em primeiro lugar e geralmente, estas imagens têm valor de símbolos sagrados e como tais são um testemunho da opinião daqueles que os aplicam a Maria. Se admitirmos o caráter preparatório das instituições e das revelações divinas do Antigo Testamento, as mais importantes destas imagens podem considerar-se mais ou menos claramente como tipos propriamente ditos, isto é, como exemplos queridos pelo próprio Espírito Santo. Podemos reconhecê-las como tais em parte pela sua relação com as profecias, em parte pela semelhança manifesta com as realidades prefiguradas. As mais seguras e ao mesmo tempo as mais significativas são Eva e o paraíso, a Arca de Noé com a pomba e o ramo de oliveira, a sarça ardente e o tosão de Gedeão, a Arca da Aliança e o trono de Salomão, enfim Ester e Judite.
O tipo de Eva vem do protoevangelho e da Epístola aos Romanos, em que Adão é apresentado como tipo de Cristo (Rm 5,14-15).
Já é utilizado teologicamente por São Justino, Santo Ireneu e Tertuliano. Eva é a imagem positiva de Maria na sua unidade e comunhão com Adão, tanto antes da queda, na sua pureza e virgindade sobrenaturais, como depois da queda, no seu papel de medianeira da vida natural para toda a humanidade. Ela é a imagem negativa de Maria, enquanto aniquilada após a queda.

quinta-feira, outubro 04, 2018

Da caridade para com o próximo

Por um religioso anônimo, “Imitação de Maria”, pág 88 a 91.
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O Servo
 — Não foi em vão, fervorosíssima Virgem, quando saístes da solidão de Nazaré para o rumor do mundo. O que a isso vos levou senão o espírito de caridade? Felizes as colinas que receberam as impressões de vossos passos! Montanhas da Judeia, estremecei de alegria!
Digna Mãe do Deus de Caridade, apenas vos informara o Anjo sobre o estado de vossa santa prima Isabel, pressa vos destes em visitá-la. Com apressados passos, diz o Evangelho, seguistes as inspirações do Espírito Santo, o qual sempre exige das criaturas a presteza no cumprir o que Ele inspira. As montanhas que teríeis de transpor não detiveram o vosso caminhar. A caridade cumpre o seu dever corajosa e generosamente. Durante algum tempo, tivestes que abandonar as doçuras do vosso retiro. A caridade tem os seus direitos, e a estes devem submeter-se os prazeres da própria piedade. Não é coisa efêmera a vossa caridade. Cerca de três meses permanecestes em casa de Isabel, a fim de lhe prodigalizares cuidados e atenções.
Que frutos preciosos de santidade não teriam sido os que brotaram dessa visita de caridade! Cheia ficou Isabel do Espírito Santo e santificado João Batista no próprio seio materno. Decerto, já Isabel e o seu esposo viviam na prática das virtudes. Todavia, mercê dos vossos exemplos, mais ainda tiveram que aprender para maior perfeição daquelas virtudes.

Maria
 — Se a Deus amas, meu filho, também ao teu próximo amarás. Lembra-te que por este é que desceu Ele do céu para vestir a natureza humana, dando-lhe a própria vida numa cruz.

quinta-feira, setembro 27, 2018

Muitas almas têm medo de Deus

Por Thomas de Saint-Laurent, “Livro da confiança”, pág 10 a 11
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Poucos cristãos, até mesmo dentre os mais fervorosos, possuem essa confiança que exclui toda ansiedade e toda dúvida. São muitas as causas desta deficiência. O Evangelho conta que a pesca milagrosa aterrorizou São Pedro.
Com a sua impetuosidade habitual, ele mediu de uma só vez a distância infinita que separava a grandeza do Mestre da sua própria pequenez. Temeu com um temor sagrado e, prosternando-se com o rosto por terra, exclamou: Senhor, apartai-vos de mim, que sou pecador (Lc 5,8).
Certas almas, como o apóstolo, possuem esse temor; sentem tão vividamente a própria indigência e as próprias misérias, que somente ousam aproximar-se da Diviníssima Santidade. Parece-lhes que um Deus tão puro deveria sentir repulsa ao inclinar-Se até elas. Trata-se de uma triste impressão, que gera em sua vida interior uma atitude de constrangimento e, às vezes, as paralisa completamente. Como se enganam essas almas! Jesus, logo em seguida, aproximou-se do apóstolo, que estava tomado pelo espanto, e lhe disse: Não temas (Lc 5,10), e o fez levantar-se.
Também vós, cristãos, que recebestes tantas provas do Seu amor, não temais! Nosso Senhor receia, antes de tudo, que tenhais medo d’Ele. Vossas imperfeições, vossas fraquezas, vossas faltas (ainda que graves), vossas reincidências frequentes, nada O desanimará, contanto que desejeis sinceramente converter-vos. Quanto mais miseráveis fordes, mais compaixão Ele terá da vossa miséria, mais desejará cumprir para convosco a Sua missão de Salvador.
No convento de Paray-le-Monial, repetia a Santa Margarida Maria: “Se puderes crer, verás o poder do meu Coração na magnificência do meu Amor...”. Acaso não vim ao mundo principalmente pelos pecadores? (cf. Mc 2,17)

quinta-feira, setembro 20, 2018

Quanto são culpados e insensatos aqueles que correspondem mal às graças divinas

Por Augusto Saudreau, “O ideal da alma fervorosa”, pág. 100 a 102
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Aqueles, portanto, que são pouco corajosos, que não sabem fazer-se violência, tolhem os planos divinos. Pela sua conduta dizem a Deus: Não será como vós o quisestes. Chamando-me à piedade, dando-me todos esses conhecimentos que não são dados à maior parte dos cristãos, oferecendo-me tantas graças, ao ponto de poder eu receber mais em um dia que outros em um ano, vós quisestes fazer de mim um cristão perfeito, e eu não quero ser senão uma alma vulgar. Quisestes que eu fosse para vós um consolador e eu não vos darei essas consolações que tanto merece o vosso amor. Quisestes que eu fosse um reparador, e eu não repararei os pecados dos outros, nem quero, mesmo neste mundo, fazer penitência pelas minhas próprias faltas. Quisestes que eu fosse aqui na terra, mas sobretudo no céu, durante a interminável eternidade, vosso amigo íntimo, e eu não o quero ser, contentando-me em ser um dos vossos servos. Vós perdereis, pois eu não vos renderei a glória que esperáveis de mim. Eu perderei, e as almas perderão também, pois eu não farei o bem que poderia fazer, mas pouco me importa.
Para corresponder aos vossos desígnios, seria necessário fazer-me violência, mortificar o meu corpo, os meus gostos, reprimir a minha imaginação, conter as minhas palavras, renunciar-me constantemente. Custa-me demais, prefiro viver suavemente e não me constranger tanto. Seria preciso, quando viessem as provações, as contradições, as humilhações, aceitar tudo por amor; pois bem, eu não tenho essa coragem. Deixar-me-ei levar pela irritação ou pelo abatimento, cedendo à minha natureza de preferência a combatê-la em obediência à graça. Embora aqueles que negligenciam as graças de Deus não pronunciem tais palavras, seus atos falam por eles, e toda a sua conduta revela semelhante linguagem.
Que loucura nos privar dessas vantagens eternas que Deus nos oferece para darmos à natureza satisfações passageiras, ou não querer constrangê-la e impor-lhe o incômodo, ou o sofrimento de um instante!

quinta-feira, setembro 13, 2018

Hedonismo

Por Pe. Francisco Faus, “A conquista das virtudes”, pág 49 a 53. 
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O hedonismo paralisa o amor de Deus

O hedonismo, como o orgulho, infiltra-se em tudo, infecciona o sangue da alma. É uma virose progressiva, generalizada. Afeta gravemente as relações com Deus e as relações com o próximo. Vamos ver, com apenas algumas pinceladas, esse efeito paralisante.
Em primeiro lugar, as relações com Deus.
— Com a mística do prazer, Deus é deixado fora da vida como um obstáculo que atrapalha, com seus mandamentos, a liberdade de viver conforme as próprias vontades. “Deus exige? Então não serve!”. “Eu é que devo exigir de Deus que Ele me sirva, que me ajude a não sofrer, a me sentir bem, a ganhar dinheiro, e, se for do meu interesse, a ficar com a mulher do próximo”.
— A religião é vista pelo hedonista como um produto de supermercado ou de shopping. O mercado das religiões, hoje, está bem abastecido. As gôndolas estão repletas, para cada qual escolher a sua religião “à la carte”. Para muitos, a Verdade não interessa; não interessa nem a Palavra nem a Vontade de Deus. Interessa só um tipo de religião que aprove todos os meus caprichos, pecados e erros; que me faça cafuné na cabeça e me tranquilize, oferecendo-me cultos, pregações, cânticos e orações com efeitos semelhantes aos da sauna, da ioga ou da dança do ventre.
Uma religião, em suma, sem outro amor que o “amor a mim mesmo”, amenizado por umas pinceladas de caridade “gostosa” e uma pitada de alguns dias de voluntariado para tranquilizar a consciência.
É evidente que esse tipo de religiosidade é paralisante, e não levará nunca à realização no amor, à plenitude da vida.
Nunca levará ao Deus vivo.

 O hedonismo paralisa o amor ao próximo
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