quinta-feira, dezembro 06, 2018

Adoração: preparação para a vinda de Cristo


Por John Henry Newman, “Sermões para o Advento e o Natal”, p. 27 a 33
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Adoração: preparação para a vinda de Cristo
“Teus olhos verão o Rei no seu esplendor, e contemplarão
uma terra distante.” (Is 23, 17)

Os anos, à medida que passam, trazem, repetidamente, as mesmas advertências, e nenhuma talvez mais impressionante do que as que vêm a nós nesta estação. A geada e o frio, a chuva e a penumbra, que agora ocorrem, antecipam os últimos dias tristes do mundo, e nos corações religiosos elevam seus pensamentos. O ano está desgastado: primavera, verão, outono, cada um por sua vez, trouxe seus dons e fez o seu melhor. Mas acabou, e o fim chegou. Tudo é passado e ido, tudo falhou, tudo foi saciado. Estamos cansados do passado; não teríamos mais estas estações. O clima austero que se segue, embora ingrato ao corpo, está de acordo com nossos sentimentos, e é aceitável. Tal é o estado de espírito que cabe ao final do ano. Tal é o estado de espírito que vem tanto para o bom como para o mau no fim da vida. Vieram os dias melancólicos. Contudo, dificilmente eles gostariam de ser jovens novamente se assim pudessem. A vida está boa em seu curso, mas não satisfaz. Assim, a alma é lançada sobre o futuro, e na proporção em que sua consciência é clara e sua percepção aguda e verdadeira, ela se alegra solenemente pois “a noite vai adiantada, e o dia vem chegando”, que há “um novo céu e uma nova terra” chegando, embora a noite vá se acabando. 
Aliás, por estar acabando, veremos “logo o Rei em Seu esplendor”, e “contemplaremos a terra distante”. Estes são os sentimentos para homens santos durante o inverno e na velhice, esperando, com algum abatimento talvez, mas com ânimo, com calma e fervor, o Advento de Cristo. 
E tais são, também, os sentimentos com que agora nos apresentamos a Ele em oração, dia após dia. A estação é fria e escura, e o sopro da manhã está úmido, os adoradores são poucos, mas tudo isso é próprio daqueles que são por profissão, penitentes e de luto, vigias e peregrinos. Mais caras a eles essa solidão, mais alegre esta severidade e mais brilhante esta melancolia, do que todos os auxílios e instrumentos do luxo pelo qual os homens, hoje em dia, tentam fazer a oração menos desagradável. A verdadeira fé não cobiça os confortos. Ela só se queixa quando é proibida de se ajoelhar, quando reclina sobre almofadas, é protegida por cortinas, e envolvida pelo calor. Sua única dificuldade é ser impedida, ou ser ridicularizada, quando se colocaria como um pecador diante de seu Juiz. Aqueles que se apercebem daquele dia terrível quando O virem face a face, cujos olhos são como uma chama, tampouco insistirão para orar agradavelmente agora, como não pensaram então em fazê-lo. 

quinta-feira, novembro 29, 2018

A perfeição pela ação


Por José Schrijvers, “A Boa Vontade”, pág 45 a 48.
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ARTIGO I: O MOMENTO PRESENTE


Santificar-se é amar a Deus, é impregnar toda a vida com este amor, é fazer passar este sopro sobrenatural, esta intenção reta, este desejo de pertencer a Deus, a todas as mínimas ações de uma existência.
E isto é possível? Certamente. Cada dia muitas almas simples alcançam este sublime ideal. E o que é necessário para também fazermos parte deste número de almas felizes?
Ora, a alma de boa vontade deve começar simplificando sua tarefa. Nunca seria demais repetir: quase todas complicam, por gosto, o trabalho da perfeição. Ao empreender a viagem para a santidade, sobrecarregam-se de fardo inútil, perdem suas forças em ocupações sem importância ou de utilidade contestável.
É necessário, pois, reduzir todo o trabalho da perfeição a um único ponto bem preciso, isto é, ao momento presente. É necessário limitar a vida, as atividades, ao dever presente e, para isso, procurar empregar todo o cuidado, toda vigilância possível.
Não é de se admirar que o desânimo invada as almas quando se encontrarem diante de uma vida inteira a santificar; quando considerarem esta infinidade de ações e de pequenos sofrimentos do decorrer de sua existência; quando vislumbrarem com um só olhar este campo imenso, coberto de vícios a desenraizar.
Aí, porém, não está a santidade. A perfeição não é feita de sonhos e abstrações. Ao contrário, ela é uma realidade bem concreta, que se nos oferece a todo instante. Uma vida a santificar é o momento presente que se dá a Deus.
Nossa vida não é senão uma sucessão de momentos. Nela, nada há de real senão este curto instante presente que se passa constantemente. Não vivemos senão do presente. Santificá-lo é o nosso único dever, nada podemos fazer de melhor para a nossa santificação e para a glória de Deus.
Ah, se compreendêssemos esta verdade, ao mesmo tempo tão simples e tão consoladora! Entre Deus e a alma de boa vontade há apenas um ato: o ato de amor. Graças a ele a alma se une a Deus a cada instante. Cada parcela de tempo é como uma espécie sacramental que leva Deus à alma; é uma comunhão sem cessar renovada. Por ela a alma se entrega sem reservas e Deus se dá do mesmo modo. “É um fluxo e refluxo, diz Ruysbroek, que faz transbordar a fonte de amor”[1].

quinta-feira, novembro 22, 2018

A conformidade que desperta o amor


Por São Francisco de Sales, “Tratado do amor de Deus”, pág 61 a 63.
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Nós dizemos que os olhos veem, os ouvidos ouvem, a língua fala, o entendimento discorre, a memória recorda-se e a vontade ama; mas bem sabemos que é na verdade o homem, que por diversas faculdades e diferentes órgãos, exerce toda essa variedade de operações. Portanto, é também o homem que, pela faculdade afetiva a que chamamos vontade, tende para o bem e nele se compraz, e tem com ele essa grande conformidade da qual o amor deriva como de sua fonte e origem.
Ora, não compreenderam bem aqueles que julgaram que a semelhança era a única conformidade capaz de produzir o amor; pois quem não sabe que os velhos amam terna e carinhosamente as crianças, e são por elas amados? Que os sábios amam os ignorantes quando são dóceis aos seus ensinos? Que os doentes amam os seus médicos? E, se nos for possível tirar algum argumento da imagem do amor que se observa nas coisas insensíveis, que semelhança pode inclinar o ferro ao ímã?
Um ímã não terá mais semelhança com outro ímã ou com outra pedra, do que com o ferro, que é de um gênero inteiramente diferente? E ainda que alguns, para reduzir todas as conformidades à semelhança, tenham assegurado que o ferro atrai o ferro, e o ímã atrai o ímã, eles não sabem explicar por que o ímã atrai com mais força o ferro, do que o ferro atrai o próprio ferro. Mas, dizei-me, que analogia existe entre a cal e a água, ou entre a água e a esponja? E, todavia, a cal e a esponja absorvem a água com uma incomparável avidez, e manifestam um extraordinário “amor” insensível para com ela. Ora, o mesmo acontece com o amor humano, que pode ser algumas vezes mais forte entre pessoas de qualidades opostas, do que entre aquelas que as têm semelhantes.

quinta-feira, novembro 15, 2018

5 livros para se levar em um primeiro retiro espiritual



        Antes de iniciar a sua vida pública, Jesus retirou-se por 40 dias no deserto (Mt 4,2), onde jejuou e orou a Deus. A exemplo de Cristo, todo cristão é convidado a participar de um retiro, momento de restabelecer a amizade com Deus e tirar bons propósitos para sempre avançar no caminho da santidade.
Os diretores espirituais costumam recomendar livros para se ler nos períodos de recolhimento, e é importante que seja uma boa obra, isto é, que suscite temas para a oração e conversa com Deus.
Se você não tem um diretor espiritual que lhe indique um bom livro, veja aqui algumas de nossas sugestões, cuidadosamente escolhidas para que o seu primeiro retiro seja um momento de profundo e intenso trato com Deus. Todas as obras indicadas estão disponíveis para compra em nossa loja virtual (www.cultordelivros.com.br) – basta clicar na imagem de capa.


O autor desta obra, padre Francisco Faus, é muito conhecido por suas pregações didáticas e profundas. No livro “Para estar com Deus”, Faus dá conselhos práticos (orações, terço, dicas de exame de consciência, maneira adequada de se fazer uma Confissão, leitura do Evangelho) ao leitor que deseja aprimorar sua vida espiritual e estar sempre na presença de Deus.
Veja a proposta do autor no seguinte trecho:

“Este livro foi escrito com a esperança de ajudar o leitor a estar com Deus, a estar habitualmente com Ele, realizando assim o desejo de Jesus: Permanecei no meu amor (Jo 9,9). Não se trata de uma coleção de aulas teóricas – embora tenham sempre presente a doutrina católica –, mas de experiências, sugestões concretas para ir alcançando a vida interior (tão necessária a todos nós, excessivamente presos às coisas exteriores!), a fim de que, tendo Deus bem no íntimo da alma, possamos ser portadores de Deus, outros Cristos – assim se chamavam os primeiros cristãos –, e levar a luz, o calor e a paz de Deus ao próximo e à sociedade em que vivemos.”

Você é uma alma de boa vontade? Neste pequeno livro, Joseph Schrijvers (1876-1945), o redentorista belga, traz breves textos meditativos sobre como ser generoso com Deus e, assim, corresponder à Sua generosidade.
Leia um trecho do livro:

“Amar contemplando, trabalhando e sofrendo, eis o segredo da alma de boa vontade. Cada voo a eleva mais alto na sua ascensão para Deus, transporta-a para mais longe na sua imensidade, aproxima-a do foco da luz. As páginas seguintes terão por fim explicar às almas de boa vontade a maneira de amar a Deus dessa forma – na oração, na ação e no sofrimento –, em tudo e sempre.”

Outro livro de Joseph Schrijvers (1876-1945), um clássico que aborda a plena e verdadeira confiança do homem em seu Criador. Schrijvers trata dos princípios, das práticas e das consequências do ato de abandonar-se em Deus, e termina com o exemplo máximo deste tipo de entrega: Nossa Senhora com o seu “fiat”, isto é, “Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a Tua palavra.” (Lc 1:38)
Leia um trecho:

quinta-feira, novembro 08, 2018

Depois de uma queda, levantar-se imediatamente


Por Joseph Tissot, “A arte de aproveitar as próprias faltas”, pág 16 e 17.
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Como seríamos indulgentes com os nossos irmãos se meditássemos bem nestes pensamentos! Como nos identificaríamos com a inefável paciência d’Aquele que, antes de investir os seus Apóstolos do poder de perdoar os pecados, lhes recomendava que perdoassem não sete vezes, mas setenta vezes sete! (Mt 18,22).
É claro que esta indulgência, tanto em relação às faltas próprias como em relação às alheias, não deve ir ao ponto de olhá-las com indiferença. Uma coisa é não se espantar com elas, outra é não as detestar nem se esforçar por repará-las. O lavrador não se espanta de ver as ervas daninhas invadirem o seu campo, mas nem por isso se esforça menos por arrancá-las.
São Francisco de Sales, depois de nos ter dito em sentido absoluto, sem sequer excetuar os pecados mortais, que “quando incorrerdes em alguma falta, não vos admireis”; e depois de nos ter advertido que “se soubéssemos bem quem somos, em vez de nos admirarmos de ver-nos por terra, pasmaríamos ao pensar como podemos permanecer de pé”, ele recomenda-nos vivamente que não continuemos “caídos e enlameados” no lugar em que tropeçamos, e acrescenta: “Se a violência da tempestade às vezes nos perturba um pouco o estômago ou nos causa uma pequena vertigem, não seja isso motivo de espanto; antes, tão depressa quanto pudermos, retomemos a respiração e o ânimo para seguir em frente”.
“Quando caíres, levanta-te com uma grande serenidade, humilhando-te profundamente diante de Deus e confessando-lhe a tua miséria, mas sem te admirares da tua queda. Afinal, o que há de extraordinário em que a enfermidade seja enferma; a fraqueza fraca e a miséria, miserável? Detesta, sim, com todas as tuas forças, a ofensa que fizeste a Deus, e depois, com uma grande coragem e confiança na Sua misericórdia, volta ao caminho da virtude que havias abandonado”.
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