quinta-feira, fevereiro 14, 2019

O medo


Por Fernando Sarráis, “Compreender a afetividade”
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O medo é uma emoção cuja finalidade natural é contribuir para a conservação da vida e do bem-estar, pois nos informa de perigos físicos e psicológicos, presentes e futuros. É considerado uma emoção negativa porque, enquanto dura, produz sofrimento, ou seja, é desagradável. Tem a sua origem em estímulos negativos (perigos) e com frequência produz condutas negativas (fuga, mentira, submissão).  
O medo surge quando tomamos consciência (conhecimento) de um perigo para a nossa integridade física e/ou psicológica, e imediatamente nos impulsiona a realizar alguma ação orientada a evitar ou minimizar o possível dano que esse perigo ameaça impor.  
Assim, o medo é um sinal de alarme emocional que informa à razão de que há um perigo real ou imaginário, presente ou futuro. É também um motor que nos impele a agir em defesa de nós mesmos ou dos nossos seres queridos. Portanto, o medo tem duas funções: uma informativa e outra impulsiva (ou energética).  
O medo surge quando a situação que causa sofrimento ainda não é presente, mas nos instiga a evitá-la. Quanto mais distante for o perigo, menor será o medo, mas a sua intensidade vai aumentando à medida que essa ameaça se aproxima no tempo e no espaço, e quanto mais inevitável se mostra. Quando a intensidade do medo é insuportável ou insofrível, chama-se pânico ou terror. Estes sentimentos costumam surgir diante de perigos muito graves, iminentes ou inevitáveis, e impulsionam a realizar condutas irracionais de fuga.  

quinta-feira, fevereiro 07, 2019

O que significa a Missa

Por Pius Parsch, “Para entender a Missa”
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Uma lembrança de Jesus 

Vós me perguntais, caríssimos irmãos: o que é propriamente a Missa? Introduzo-vos no Cenáculo que já conheceis. Vemos aí o Salvador, sentado à mesa entre seus doze Apóstolos. É um grande e solene momento. Como um pai antes de morrer reúne os seus filhos para lhes dizer sua derradeira vontade, assim também o faz o Salvador. Faz seu testamento. Toma o pão e o converte em seu corpo; toma um cálice com vinho e transforma este em seu sangue; e serve-os a seus Apóstolos. Pronuncia, então, as significativas palavras: “Fazei isto em memória de mim”. O que quer dizer com isto? 
Façamos outra comparação. Imaginai que vossa mãe, no leito da agonia, vos chama e diz: 
“Meu filho, peço-te que, quando eu morrer, rezes por mim, todos os domingos, um Pai Nosso”. O que faríeis? Seria preciso que tivésseis um coração de pedra para não terdes como sagrado o último desejo de vossa mãe, e não o cumprirdes fielmente. Vou contar-vos um pequeno fato de minha vida. Tinha eu uma avó piedosa, que viveu seus últimos anos na casa de meus pais, e atingiu a idade de oitenta e cinco anos. Na última vez que a vi, eu era aluno de teologia e passava, então, as férias na minha cidade natal. Um dia, ela me chamou de parte e disse em tom solene, muito emocionada: “João, (era o meu nome de batismo) quando eu morrer, reza por mim! Ainda menina, continuou ela, pediu-me também a minha avó que não a esquecesse nas minhas orações; agora tenho oitenta e cinco anos completos, e não a esqueci nem um só dia”. Isto me disse minha avó.
Se devemos ter em tanta estima a última vontade dos nossos entes queridos, não haveremos de cumprir com mais fidelidade o que Deus deseja e quer? Pois bem, o próprio Salvador está diante de nós; na última ceia reúne ao Seu redor, na pessoa de seus Apóstolos, a cristandade de todos os tempos; Ele, o Senhor, Deus, o Juiz, o Salvador, o grande Benfeitor, mais digno de apreço do que pai e mãe, se dirige a vós: “Filho, se me amas, faze em memória de mim o que acabo de fazer na Ceia.” — E não haveis de o fazer com santo respeito? 

quarta-feira, fevereiro 06, 2019

Como converter boas ações em bons hábitos?






Toalha molhada em cima da cama, luzes acesas em todos os cômodos, dever de casa atrasado, verduras abandonadas no canto do prato, cara feia na hora de ir para a cama... Se essas cenas lhe soam familiares, então você precisa conhecer o Jogo dos Hábitos!



Trata-se de um jogo de cartas, elaborado para famílias que desejam ensinar bons hábitos às suas crianças. Através de uma abordagem descontraída e cheia de significado o jogo pretende proporcionar um convívio familiar alegre e educativo.

quinta-feira, janeiro 31, 2019

Força e constância

São Pedro Julião Eymard, "Escritos espirituais", volume I, p. 15 a 18.
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Queremos alcançar a recompensa eterna. Para isso tendem todos os nossos esforços, quer tenhamos permanecido no mundo, quer abraçado o estado de perfeição. A vocação essencial de todo cristão é a de trabalhar para ser santo. 
O que nos deve assegurar a vitória é a força; a piedade é apenas leite. O repouso prolongado enerva; o exercício torna combativo e forte. Toda piedade que não sabe empregar a força é truncada. 
Diz a lenda que Hércules era forte porque, na juventude, se alimentara com medula de leões. O cristão alimenta-se com a medula de Deus, com a Eucaristia: deve ser forte. 

*** 

Há três espécies de força. 
A primeira é uma força brutal, a empregar contra as paixões. Não deve basear-se em discussões. Quem discute com o sedutor, já está perdido, pois consente em conferenciar com ele. 
Tal força, é preciso empregá-la contra si e contra o mundo. Deve ser intolerante, cruel, como o ensina Jesus Cristo, ao dizer que devemos romper toda relação com a carne e o sangue, com tudo quanto possa constituir perigo para a nossa alma. Longe de nós a tolerância; não se deve tê-la com o inimigo. “Não vim trazer a paz, mas a espada” (Mt 10,34), diz o Salvador: espada que separará o filho de seu pai, a filha de sua mãe, o homem de si mesmo. 
Jesus Cristo foi o primeiro a puxar da espada contra os fariseus, os sensuais e os hipócritas. Lançou-a no mundo, e dela se devem apoderar os cristãos: basta um pedaço, tomai-o; é uma espada bem temperada no sangue de Jesus Cristo e no fogo do Céu. “Suporta os trabalhos”, diz São Paulo a seu discípulo Timóteo, “como um bom soldado de Jesus Cristo” (2Tm 2,3). 
Para o Céu, Nosso Senhor quer homens violentos, implacáveis, escaladores, capazes de tudo: “O reino dos céus adquire-se à força, e os violentos arrebatam-no” (Mt 11,12). “Se alguém vem a mim, e não aborrece seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e até a sua vida, não pode ser meu discípulo” (Lc 14,26). Trata-se, evidentemente, do ódio ao pecado e não às pessoas. Portanto, guerra contra si próprio, contra as paixões, os sete pecados capitais ou as três concupiscências, o que vem a dar no mesmo. É preciso cortar até ao coração, até à raiz; e jamais se termina. 
Oh! sabeis que é violento esse combate! É preciso recomeçar sempre, e a vitória da véspera não assegura a do dia vindouro. Vencedor por um momento, acorrentado no seguinte. Descansou-se: é o suficiente para preparar uma derrota. Só serão verdadeiros vencedores os que jamais cessam de combater. 

quinta-feira, janeiro 24, 2019

A alma da ação


Por Joseph Schrijvers, “A Boa vontade”, p. 31 a 35
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A alma da ação

Aquele que simplificou sua tarefa, reduzindo toda a sua vida à unidade do momento presente, é capaz de dar à ação presente toda a sua atenção e toda a sua energia. Entretanto, isto não basta.
Executar uma obra fielmente, acabá-la integralmente, não é senão o elemento material da boa ação. Este elemento material deve ser vivificado, transformado e de algum modo edificado pela pureza de intenção.
Mas qual é essa intenção? É o amor. Em cada uma de suas ações a alma fiel quer testemunhar a Deus que ela ama. Sabe, aliás, que nenhum ato tem valor verdadeiro senão em virtude desta divina Caridade, que sem o amor a obra não é senão corpo sem alma, organismo sem vida.
Esta intenção de amar a Deus, que acompanha a alma em cada uma das suas ocupações cotidianas, pode revestir-se de muitas formas e exprimir-se em diversas fórmulas. Amar a Deus é querer fazer a Sua divina vontade (cf. Jo 9,31), abandonar-se à Sua ação, conformar-se à ordem divina, viver na verdade (cf. 3Jo 4); amar a Deus é procurar Sua glória (cf. 1Cor 10,31), trabalhar em fazê-Lo conhecido, em estender seu Reino (cf. Mt 6,10); amar a Deus é ser homem do dever, homem sobrenatural, é querer dar prazer a Deus, querer fazê-Lo esquecer as ingratidões dos homens; amar a Deus é esforçar-se em imitar Jesus Cristo (cf. Rm 8,29), em transformar-se Nele (cf. Gl 2,20), em revestir-se de Sua divina Pessoa (cf. Gl 3,27), em unir-se mais intimamente a Seu Corpo Místico (cf. 1Cor 12,27), em dedicar-se à Sua obra (cf. Jo 4,34), em enraizar-se na Sua caridade (cf. Ef 3,17).
As fórmulas variam, mas o sentido permanece o mesmo. Através de todas as suas ações, a alma ama seu Deus, trabalha com intuito de manifestar-Lhe seu apego e de conformar-se ao Seu divino beneplácito. Eis aí o segredo da santidade.
Tocamos aqui a base mesma do trabalho da perfeição. É aqui que se faz a separação entre as almas heroicas e as almas medíocres: todas são animadas de boa vontade, todas têm um certo número de atos iguais a fazer cada dia. Mas, enquanto algumas acumulam em poucos anos imensos tesouros e parecem voar para a santidade, outras avançam penosamente, arrastando-se sobre a estrada que conduz à perfeição.
De onde vem essa diferença?
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