quinta-feira, fevereiro 07, 2019

O que significa a Missa

Por Pius Parsch, “Para entender a Missa”
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Uma lembrança de Jesus 

Vós me perguntais, caríssimos irmãos: o que é propriamente a Missa? Introduzo-vos no Cenáculo que já conheceis. Vemos aí o Salvador, sentado à mesa entre seus doze Apóstolos. É um grande e solene momento. Como um pai antes de morrer reúne os seus filhos para lhes dizer sua derradeira vontade, assim também o faz o Salvador. Faz seu testamento. Toma o pão e o converte em seu corpo; toma um cálice com vinho e transforma este em seu sangue; e serve-os a seus Apóstolos. Pronuncia, então, as significativas palavras: “Fazei isto em memória de mim”. O que quer dizer com isto? 
Façamos outra comparação. Imaginai que vossa mãe, no leito da agonia, vos chama e diz: 
“Meu filho, peço-te que, quando eu morrer, rezes por mim, todos os domingos, um Pai Nosso”. O que faríeis? Seria preciso que tivésseis um coração de pedra para não terdes como sagrado o último desejo de vossa mãe, e não o cumprirdes fielmente. Vou contar-vos um pequeno fato de minha vida. Tinha eu uma avó piedosa, que viveu seus últimos anos na casa de meus pais, e atingiu a idade de oitenta e cinco anos. Na última vez que a vi, eu era aluno de teologia e passava, então, as férias na minha cidade natal. Um dia, ela me chamou de parte e disse em tom solene, muito emocionada: “João, (era o meu nome de batismo) quando eu morrer, reza por mim! Ainda menina, continuou ela, pediu-me também a minha avó que não a esquecesse nas minhas orações; agora tenho oitenta e cinco anos completos, e não a esqueci nem um só dia”. Isto me disse minha avó.
Se devemos ter em tanta estima a última vontade dos nossos entes queridos, não haveremos de cumprir com mais fidelidade o que Deus deseja e quer? Pois bem, o próprio Salvador está diante de nós; na última ceia reúne ao Seu redor, na pessoa de seus Apóstolos, a cristandade de todos os tempos; Ele, o Senhor, Deus, o Juiz, o Salvador, o grande Benfeitor, mais digno de apreço do que pai e mãe, se dirige a vós: “Filho, se me amas, faze em memória de mim o que acabo de fazer na Ceia.” — E não haveis de o fazer com santo respeito? 

Perguntar-me-eis, como e quando posso fazer isso em sua memória? Na Santa Missa. O mesmo que fez Jesus na Última Ceia, isto é, converter o pão e o vinho em seu corpo e seu sangue, todo Sacerdote o faz na Missa. É, portanto, a Missa a lembrança de quem nos é mais caro: Nosso Senhor Jesus Cristo. 
A Missa, não é, no entanto, uma lembrança morta. Se tendes no cemitério um morto querido, vós vos comprazeis em pôr no seu túmulo, uma coroa, um ramalhete, uma luz, ou colocais em vosso quarto uma fotografia para que a sua imagem querida vos esteja sempre presente. Mas tudo isto é uma recordação morta. A coroa fenece, a fotografia não fala: permanece muda. A Missa, pelo contrário, é uma lembrança viva do Senhor; é uma comemoração cheia de vida, porque no momento mesmo em que a celebramos, o Senhor se apresenta no meio de nós, embora envolto no manto das espécies de pão e vinho. 
Se uma viúva que perdeu na guerra o esposo conhecesse um meio para estar com ele por instantes que fosse, mesmo que não o visse, como estimaria essa feliz ocasião! Por isso os homens visitam com todo carinho os túmulos; aí, ao menos, encontram algo do morto: o seu corpo; sentem-se aí mais chegados a ele. Na Missa é muito diferente: o querido Morto está realmente perto de nós: vive em nosso meio. Ele mesmo diz: “Isto é meu corpo, imolado por vós; isto é o meu sangue”. Temos assim neste venerando memorial mais que um túmulo de morto. Diante de nós estão seu corpo e seu sangue, tais, como foram oferecidos na cruz. A Santa Missa é, desta maneira, lembrança viva de Cristo. 
Se vós, cristãos, compreendêsseis o alcance deste pensamento, com que respeito iríeis à Missa aos domingos. A caminho da igreja, imaginai a cena: o Salvador está na última Ceia com os Apóstolos, e vós entre eles. Cristo vos olha e vos diz: “Se me amais, se quereis ser meu discípulo, fazei isto em memória de mim!”

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