quinta-feira, dezembro 13, 2018

A juventude, uma qualidade da alma


Por Rafael Llano Cifuentes, “A força da juventude”, p. 5 a 7.
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A juventude, uma qualidade da alma 

Você é jovem ou velho? 
Não seria mais lógico, contudo, perguntar: que idade você tem? A idade nos daria automaticamente a resposta. 
A questão, no entanto, está sendo formulada dessa maneira propositadamente. Porque acredito que a juventude não é uma época da vida, mas uma qualidade da alma. Mas se é uma qualidade da alma, qual será a medida para avaliá-la? O tempo físico? O tempo biológico? 
Não. Não me cabe na cabeça que uma qualidade do espírito esteja subordinada à sucessão dos dias e dos anos, que algo tão íntimo dependa das voltas que porventura possa dar a Terra em torno do Sol. Nem sequer posso admitir que esteja condicionada pelo estado biológico das células, glândulas e tecidos do meu organismo. O corpo doente, pesado, amarrado a uma cama, pode estar unido a uma alma tensa, desperta, juvenilmente vivaz. 
Qual seria, então, o módulo para computar a juventude? Eu lhe responderia, sem hesitar: a esperança. A esperança é a quinta-essência da juventude. 
É jovem aquele que tem muito futuro. Aquele em quem o futuro vive em forma de esperança; aquele que sabe rasgar em sua alma perspectivas e ideais; que sabe servir-se do passado e do presente como trampolim para o futuro. 
É velho aquele a quem o passado pesa mais do que o futuro. É velho quem tem como horizonte vital as mesquinhas necessidades utilitárias do imediato. É velho um homem de futuro morto. 
O jovem vive de esperanças. 

O velho perde a vida nas lembranças. 
A juventude é uma intensidade vital lançada para frente; um desejo profundo de realização, criado e recriado a cada dia; uma tensão voltada à realização de um ideal que absorve todas as energias do coração. É como um vetor de força anímica. 
A velhice é uma situação do espírito que deserta do futuro, um compromisso imobilizante com o passado, uma resignada aceitação do presente. Uma vocação humana malograda. Um ideal abortado. 
A juventude se define pelo otimismo. O pessimismo configura a velhice. 
Por isso bem podemos dar razão à frase daquele velho general da 2ª Guerra Mundial: “Os anos enrugam a pele, mas perder o ideal enruga a alma”. E também por isso poderemos dizer que o mundo está repleto de jovens sem juventude e de velhos que transbordam jovialidade. 
Você nunca reparou em não sei que sombra de tédio, de pessimismo, de precoce fim, marchando atrás de um jovem de 18 anos? Você nunca se defrontou com a surpresa esplêndida de um homem de 80 anos em plena juventude de espírito: a alma tensa, a vista fitando o alto-mar das suas esperanças, as mãos ferrenhamente firmadas no leme da vida? 
Agora cada um de nós já pode responder adequadamente àquela pergunta: eu sou jovem ou velho? Qual é o panorama íntimo do meu coração? Eu acredito no segredo de plenitude, de felicidade, de amor, ainda não desvendado, que levo escondido no centro solene da minha alma? Eu tenho fé na perfeição potencial que fervilha inquieta no âmago do meu ser? Eu entendo aquelas palavras de Schiller que dizem: “no fundo do teu peito levas as estrelas do teu destino”? 
Eu creio firmemente na infinita bondade de Deus, que ao me criar deu-me uma vocação de felicidade eterna e, por conta dela, não me deixa de dar os meios adequados para chegar a atingi-la? Compreendo que Deus não me criou para ser um homem frustrado? 
Quando Deus me faz vislumbrar uma perspectiva nova, mais alta e perfeita, tenho a generosidade suficiente para me desprender do lastro dos meus sonhos passados, talvez mais humanos e materialistas, para me aventurar em outro projeto que, por ser divino, é por isso mesmo grandioso? Eu possuo um ideal? Um grande ideal, humano e divino? 
Que resposta estamos dando a estas perguntas? Não viremos a página pensando: vou deixar para outro dia; não encolhamos os ombros com um gesto de indiferença; não nos conformemos com uma resposta ambígua ou imprecisa..., porque a atitude que tomarmos diante dessas questões determinará o grau da nossa vitalidade juvenil ou da nossa decadência senil. 

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