quinta-feira, outubro 04, 2018

Da caridade para com o próximo

Por um religioso anônimo, “Imitação de Maria”, pág 88 a 91.
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O Servo
 — Não foi em vão, fervorosíssima Virgem, quando saístes da solidão de Nazaré para o rumor do mundo. O que a isso vos levou senão o espírito de caridade? Felizes as colinas que receberam as impressões de vossos passos! Montanhas da Judeia, estremecei de alegria!
Digna Mãe do Deus de Caridade, apenas vos informara o Anjo sobre o estado de vossa santa prima Isabel, pressa vos destes em visitá-la. Com apressados passos, diz o Evangelho, seguistes as inspirações do Espírito Santo, o qual sempre exige das criaturas a presteza no cumprir o que Ele inspira. As montanhas que teríeis de transpor não detiveram o vosso caminhar. A caridade cumpre o seu dever corajosa e generosamente. Durante algum tempo, tivestes que abandonar as doçuras do vosso retiro. A caridade tem os seus direitos, e a estes devem submeter-se os prazeres da própria piedade. Não é coisa efêmera a vossa caridade. Cerca de três meses permanecestes em casa de Isabel, a fim de lhe prodigalizares cuidados e atenções.
Que frutos preciosos de santidade não teriam sido os que brotaram dessa visita de caridade! Cheia ficou Isabel do Espírito Santo e santificado João Batista no próprio seio materno. Decerto, já Isabel e o seu esposo viviam na prática das virtudes. Todavia, mercê dos vossos exemplos, mais ainda tiveram que aprender para maior perfeição daquelas virtudes.

Maria
 — Se a Deus amas, meu filho, também ao teu próximo amarás. Lembra-te que por este é que desceu Ele do céu para vestir a natureza humana, dando-lhe a própria vida numa cruz.

Não te deixes levar pelo sentimento apenas, mas que a tua caridade seja efetiva.
Tantos aflitos que necessitam do consolo de tuas palavras! Tantos infelizes que necessitam de teus serviços! Permitiu Deus que a terra se povoasse de indigentes e aflitos para que eles pela paciência se santificassem e tu pela caridade. Que a tua caridade seja liberal. Dá-lhe toda a amplitude que puderes. Ser parcimonioso nos serviços prestados ao próximo é antes frustrar os deveres da caridade que os cumprir.
Quando não puderes prestar por ti mesmo serviços ao próximo, interessa-te por ele junto aos outros. Ou ao menos suplica por ele os dons da caridade de Deus. Não vejas no teu próximo um homem, mas o próprio Deus. Então, a quem quer que te peça um auxílio já não saberás recusá-lo, visto que a Deus, decerto, algo não poderias recusar.
Quem não faz bem aos homens senão atendendo aos méritos e qualidades dos beneficiados, não será por muito tempo nem muitas vezes que isso fará. Ama, meu filho, as obras de caridade que te custem, não que deliciem. Ama os exercícios de caridade isentos de amor próprio. Deus te ensina com o seu exemplo a caridade para com todos, não excluindo os mais ingratos.
“Dai, disse Jesus, e vos será dado” (Lc 6,38).
Se deres algumas riquezas temporais, eternas te dará Deus em troca. Dá a teu próximo conselho, a fim de que se determine nas suas incertezas, e Deus te inspirará para que saias também de tuas perplexidades. Dá aos aflitos palavras de consolação, e verás que o “Deus de toda consolação” será, pelas palavras de sua graça, o sustento eficaz nas tuas aflições.


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