quinta-feira, agosto 23, 2018

Esperança

Por Charles de Foucauld, “Luz no deserto”, pág. 74 a 76.
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Senhor, fala-me da esperança! Como poderiam sair, desta pobre Terra, pensamentos de esperança? É absolutamente necessário que eles desçam do Céu. Tudo o que cremos e sentimos, tudo o que somos, prova-nos o nosso nada. Como poderemos saber que fomos criados para ser irmãos e coerdeiros de Cristo, para ser teus filhos, se tu no-lo não disseres? Senhora da Esperança, ora por mim a teu filho, Jesus, e inspira-me bons pensamentos.
 A esperança de estar um dia no Céu, a teus pés, meu Senhor, em companhia da Virgem e dos santos, vendo-te, amando-te, possuindo-te para a Eternidade, sem que nada me possa separar, nunca mais, nem por um só instante, de ti! Sim, esta é uma visão de paz, uma visão do Céu. A esperança que nos conduz tão acima de nós mesmos, que paira de tal maneira sobre os nossos sonhos, tu, Senhor, não só a legitimas, como nos obrigas a possuí-la. Poderias ordenar-me algo de mais suave? Meu Deus, como és bom! Representa-se, habitualmente, a esperança por uma âncora; sim, e que sólida âncora! Por muito mau, por muito pecador que eu seja, devo esperar o Céu, porque tu me proíbes de desesperar. Por mais ingrato, tíbio, covarde que eu seja, por maior que seja a minha indolência diante das tuas graças, obrigas-me a esperar viver eternamente a teus pés, no amor e na santidade; proíbes-me de sucumbir às minhas misérias e de dizer: “Já não posso mais. O caminho do Céu é demasiado íngreme. Tenho de recuar e de cair”. 

“Proíbes-me de o dizer a mim mesmo, em vista das minhas nunca desmentidas quedas, de que te peço todos os dias perdão”. Nunca me poderei corrigir. A santidade não foi feita para mim. “Que haverá de comum entre mim e o Céu? Sou demasiado indigno de lá entrar”. Proíbes-me de dizer em relação às múltiplas graças com que me dotaste, e da indignidade da minha vida presente: “Tive tantas graças; devia ser tão santo quanto sou pecador; devia corrigir-me, mas é tão difícil. Sou apenas miséria e orgulho; à exceção de tudo o que Deus fez, não há nada de bom em mim; nunca irei para o Céu”. Queres que eu espere, apesar de tudo, que espere sempre ter um dia graça suficiente para me converter e alcançar a glória. O Céu e eu, a perfeição e a miséria, que há de comum entre eles? Há o teu coração que os liga, o amor do Pai, que tanto amou o Mundo, até ao ponto de lhe dar o seu filho único. Devo esperar sempre, porque assim mo ordenaste e porque devo crer sempre no amor que tantas vezes me prometeste, e no teu poder. Sim, considerando o que fizeste por mim, devo ter uma tal confiança no teu amor, que embora me sinta ingrato e indigno, devo esperar sempre nele, e contar com ele sempre, estar sempre convencido de que tu estás pronto a receber-me como o pai ao filho pródigo. E mais ainda: que não deixas de me chamar, de me convidar e de me dar os meios para me aproximar de ti.

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