quinta-feira, julho 19, 2018

Presença de Deus

Por Miriam Mirna, “Gotas esparsas de oração”, pág 43 a 45.
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São Josemaria ensinou que é na realidade concreta de cada momento que Te encontramos, meu Deus. Parece que essa verdade não penetrou na minha vida diária, só na minha cabeça, teoricamente. Acho que ainda espero certeza sensível de que estás perto de mim. Põe, Senhor, no meu coração, a convicção de que, se eu quiser, poderei encontrar-Te nos meus deveres, nas alegrias, nos contratempos, “entre as panelas” (parece que Santa Teresa – doutora da Igreja! – o afirmava), no lazer e no cansaço, nas mil “mesmas coisas” de todo dia. E aí, tratar-Te, oferecendo-Te tudo isso, pedindo ajuda, agradecendo, contando-Te tudo, o que me alegra e o que me preocupa, o que me cansa e o que me descansa, o que me atrai e o que me desgosta.
Quando alguma vez uma escuridão densa me envolver, ou vier uma tribulação mais pesada, que eu saiba, Senhor, ainda que não sinta, que não estou só, que estás comigo. Tu sim, diante da Paixão e da Cruz, ficaste só (cfr. F. Fernandes Carvajal, A cruz de Cristo, p. 20), até teus Apóstolos Te abandonaram (cfr. Mc 14, 50). Eu nunca fico só porque és fiel e nos asseguraste: Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo (Mt 28, 20).
Quando, tendo muito o que fazer, um contratempo, proveniente de mim mesma (uma indisposição, uma incapacidade real de dar conta de tudo, de “esticar” o tempo...), dos outros (que me pedem algo, que querem conversar em momentos inoportunos, que não fazem o que espero...), das coisas (ah! o computador, o trânsito, o telefone...), um contratempo, dizia, impedir ou atrasar o que eu tinha previsto, quero ver-Te, Senhor, pedindo-me o desprendimento da minha vontade para aceitar, com alegria, a tua.

Às vezes, o cansaço, as dificuldades, o trabalho... parecem querer “afogar-me” e então eu “sonho” com o momento de parar, no fim do dia e mergulhar em outro mundo, o do descanso e o do lazer (leitura, cinema, “papo” descontraído, passeio pelas ruas iluminadas e animadas da cidade...) Quisera eu, Senhor, mergulhar em Ti muitas vezes ao longo do dia, não para esquecer, nem para descansar (embora descanse), mas para reencontrar a paz e a serenidade.
Quando se fala de presença de Deus, não imagino a Deus como que escondido atrás de uma porta, espionando-me. Pelo contrário, Ele preside meu mundo interior: sentimentos, pensamentos, intenções... Essa consciência ajuda--me a lutar contra os sentimentos negativos, os pensamentos inúteis (cfr. Caminho, n. 13), a buscar ter uma intenção reta em tudo que faço.
Por isso convém que eu procure alimentar a consciência da contínua presença de Deus com a guarda dos sentidos, o controle da imaginação e da memória, uma vida de piedade sólida.
Tu, meu Deus, estás sempre comigo; e eu, estou sempre contigo?
Aquele “sorria, você está sendo filmado”, espalhado em tantos cartazes, serve-me de lembrete da presença de Deus ao meu lado sempre; e, como consequência, nem sempre me vem o sorriso aos lábios, mas a alegria ao coração e a paz à alma.

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