quinta-feira, junho 14, 2018

Os efeitos da água benta


Por Rev. Henry Theiler, “A água benta”, pág 27 a 34.
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A questão se apresenta naturalmente: de onde vêm os efeitos da água benta?
Devemos os benefícios da água benta principalmente ao nosso divino Salvador. Ele mereceu por nós as graças que obtemos com o seu uso ao sofrer sua amarga Paixão e morte. A Santa Igreja, entretanto, sendo a guardiã destes preciosos e infinitos tesouros da graça obtidos pelo sacrifício de nosso Senhor, e em vista destes méritos, associa esses benefícios à água benta. O poder de assim agir lhe foi conferido pelo próprio Cristo; portanto, devemos os efeitos da água benta primeiro a Cristo, e depois às determinações e orações da Igreja.
No que se refere aos efeitos, deve-se notar que a água benta não confere a graça santificante, mas confere uma graça atual que ilumina o intelecto e move a vontade a evitar o mal e fazer o bem. Benefícios corporais também são obtidos pela água benta.
Mas, se desejamos obter grandes benefícios com o uso da água benta, precisamos, da nossa parte, estar bem preparados. E para estarmos preparados, precisamos acima de tudo estar em estado de graça, manter firme a fé e ser submissos a Cristo e a Sua Santa Igreja.
Disso não se deve concluir que, para os que estão assim dispostos, todos os benefícios da água benta estarão garantidos, mas sabemos que serão concedidas graças a todos aqueles que utilizarem a água benta com as devidas disposições. Quanto ao número ou tipo de graças e favores que cada um irá receber, isso não é possível determinar, nem se pode dizer que invariavelmente uma pessoa receberá o bem ou a graça que deseja por meio da água benta, por mais bem preparada que esteja.

Por exemplo: alguém pode servir-se da água benta para obter alívio de uma doença. Se a pessoa doente recebe a água com fé e confiança, ficará infalivelmente curada? Não, mas certamente receberá alguma graça igualmente ou ainda mais importante.
E por que a água benta não traz infalivelmente o benefício desejado, mesmo quando utilizada com a disposição adequada?
O Catecismo ensina que os sacramentais, como a água benta, atuam principalmente através da intercessão da Igreja (CIC 1.667). A Igreja é a noiva do Divino Salvador, e por isso suas orações são sempre agradáveis a Deus.
Quando a Igreja reza, o Noivo reza com ela, e por esta razão a sua oração é poderosa diante de Deus.

(...)

Os doutores da Igreja concordam que a água benta promove a remissão dos pecados veniais e de suas penas temporais. Cito aqui Santo Tomás de Aquino: “Pela aspersão da água benta, a dívida dos pecados veniais é aniquilada; mas nem sempre, porém, todas as penas temporais são eliminadas; isso acontece de acordo com as disposições da pessoa que a utiliza, dependendo do menor ou maior grau de seu ardor no amor a Deus”.
O mesmo santo Doutor também diz que “a aspersão da água benta traz a remissão do pecado venial na medida em que estimula a contrição”. Segundo o conselho de Santo Afonso, devemos nos esforçar para aumentar a contrição quando usamos a água benta, para que ela possa comprovar seus efeitos purificadores.
A água benta não apenas possui o poder de purificar-nos dos pecados veniais e penas temporais, mas também nos ajuda a vencer as tentações do demônio. Para alcançar esse efeito, a Santa Igreja pede, na primeira oração pronunciada sobre o sal, que o Deus Todo-poderoso permita que ele sirva para a preservação das pessoas, e “que toda ilusão e perversidade e armadilha de diabólica astúcia e todo espírito imundo sejam afastados”. E mais ainda: na segunda oração sobre o sal, pede-se que ele possa até mesmo proteger-nos contra os males espirituais; e, portanto, para proteger-nos da tentação, que ele possa fazer com que o demônio tenha menos poder para nos tentar.
A água benta também tem efeitos de santificação, que consistem nas graças atuais que podem ser obtidas: são as iluminações do intelecto e as inspirações do Espírito Santo que ajudam os fiéis a cumprir lealmente os deveres do seu estado de vida, a rezar devotamente, a ouvir um sermão com proveito, e especialmente a participar do Santo Sacrifício da Missa com recolhimento e devoção, participando assim mais plenamente de suas preciosas riquezas. Uma iluminação, por exemplo, pode estar envolvida quando alguém passa a compreender, melhor do que antes, os seus erros, e principalmente o seu pecado predominante. Já a inspiração se dá quando uma voz interior adverte alguém a resolver-se finalmente a evitar uma ocasião de pecado, a desistir de um relacionamento pecaminoso, a evitar associações inconvenientes ou ocasiões perigosas com maior determinação, e a buscar, com especial devoção e fervor, a virtude que contrabalança o seu vício predominante. Estes são os efeitos das graças atuais, efeitos que a água benta pode acarretar.
Não estou afirmando que os efeitos acima mencionados ou efeitos semelhantes da graça devam ser necessariamente atribuídos ao uso da água benta, porque não podemos saber exatamente de que forma e em que medida ela nos influenciou. Mas sabemos que a água benta pode produzir esses efeitos e também podemos, sem dúvida, atribuir ao uso da água benta grande parte do nosso conhecimento e inspiração.

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