quinta-feira, junho 21, 2018

O Poder da oração


Por Leo J. Trese, “Dizer sim a Deus não à mediocridade”, pág. 77 a 79.
Clique aqui e veja o livro em nossa nova loja virtual.


 Estará acontecendo comigo alguma coisa de mal? Não tenho qualquer sentimento espiritual, não sinto impulso para rezar; parece-me excessivamente difícil rezar. Na igreja, não sou capaz de ter qualquer sentimento piedoso ou arrebatador. Para mim, a religião é, quando muito, um trabalho penoso e sem interesse. Estarei perdendo a fé?
De tempos a tempos, todos os sacerdotes são submetidos a este tipo de perguntas. Trata-se de uma questão que indica uma falta de compreensão da natureza fundamental da religião.
Na vida, o nosso primeiro dever é amar a Deus. Foi para isso que Deus nos criou: para O amarmos. E é neste caso que podemos cair em erro, julgando o nosso amor por Deus pela intensidade de uma resposta emocional, como julgamos o nosso amor por outros seres humanos. A reação emocional é uma parte integral do amor humano. O amor de Deus, porém, tem origem na vontade, absolutamente independente das emoções.
Amar a Deus significa simplesmente considerá-lO acima de todas as outras coisas, dar-Lhe a posição suprema na nossa escala de valores. Na prática, isto significa que, seja o que for que Deus queira, nós também queremos. Não devemos permitir que nada ou ninguém se anteponha a Deus e devemos fazer, da sua vontade, a norma da nossa vida. Em resumo, o nosso amor a Deus prova-se pela nossa obediência a Deus.
Se uma pessoa regular assim a sua vontade pela de Deus, então ama a Deus. Na verdade, ama intensamente a Deus, mesmo que, emocionalmente, possa sentir-se bastante fria para com Deus.
Todos nós reconhecemos haver grande variedade de temperamentos. Certas pessoas são, por natureza, frias e reservadas, outras são calorosas e ardentes. E, entre estes dois extremos, quanta graduação! Os psicólogos ainda não têm plena certeza a respeito de quais as variações que são devidas a ambientes diferentes da infância e da juventude e quais as devidas a diferenças nos sistemas glandular e nervoso. Sejam quais forem as raízes dessa diversidade, é evidente que não podemos vangloriar-nos do nosso temperamento.

É claro que não é mau que o nosso amor por Deus suscite as nossas emoções. Com certas pessoas isso acontece e, quando acontece, pode ser considerado como um bônus, um benefício, pelo qual devíamos dar graças a Deus. O deleite espiritual pode tornar agradável a oração e a disciplina religiosa uma alegria, mais do que uma penitência. No entanto, devemos ter bem a certeza de que, sob as emoções, existe o sólido substrato da vontade. De contrário, há o perigo de a dedicação por Deus também poder enfraquecer ou desaparecer, no caso de cessar a emoção.
Em igualdade de circunstâncias, a pessoa que acha difícil rezar alcançará mais mérito pela sua oração do que a pessoa que o acha agradável. Quanto mais difícil for fazer alguma coisa por Deus, mais méritos receberemos. Isto, porém, não significa que se deva desdenhar da alegria espiritual; significa somente que não podemos julgar, com segurança, da extensão do nosso progresso espiritual pelo nosso estado emocional.
Pode ser útil uma observação final. Uma pessoa pode ser tentada a não rezar, com a desculpa de não se sentir disposta a fazê-lo, não se sentir inclinada a orar. Nessas ocasiões, deve lembrar-se de que o objetivo fundamental da prece não é dar, a nós mesmos, um estímulo emocional. Rezamos, em primeiro lugar, porque a oração é uma obrigação essencial para com Deus, um dever da criatura para com o Criador. Esse dever permanece, independentemente de encontrarmos, ou não, conforto ou inspiração na nossa prece. Por outras palavras, rezo sobretudo por amor a Deus, não por amor a mim.
Não importa sentirmo-nos espiritualmente áridos, continuamos a ter a obrigação de reconhecer, nas nossas orações, a grandeza e bondade infinitas de Deus. Continuamos a ter a obrigação de agradecer a Deus todas as suas graças e suplicar-Lhe perdão para os nossos pecados.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...