quinta-feira, maio 31, 2018

A União Eucarística


Por Fr. M. Vicente Bernadot, “Da Eucaristia à Santíssima Trindade”, pág 15 a 18.
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1. Jesus dá-se a nós principalmente pela comunhão


É sobretudo pela santa comunhão que nos unimos a Cristo na prática, na vida cotidiana. O meio excelente para nos enriquecermos da vida divina é comermos “o pão da vida”.
Em tal momento se estabelece união prodigiosa, à qual não são comparáveis nem mesmo as uniões mais íntimas da terra. Para encontrar um termo de comparação, é preciso, como diz São João Crisóstomo, tomar como modelo a união das duas naturezas (divina e humana) em Cristo, e explicar que, pela Eucaristia, ficamos unidos a Jesus como sua santa Humanidade está unida ao Verbo.
É verdade que permanecem distintas a vida de Jesus e a nossa, a sua e a nossa natureza, assim como a sua alma e a nossa alma. Contudo, estabelece-se uma incomparável unida de amor.
Para nos darem uma ideia desta “unificação de Cristo e do homem”, os Santos Padres (Concílio de Florença) fazem comparações arrebatadoras: “Lançai cera derretida em outra, diz São Cirilo de Jerusalém: ambas se penetrarão totalmente.
Do mesmo modo, quando alguém recebe o Corpo e o Sangue do Senhor, realiza-se tal união, que Cristo passa para ele e ele para Cristo... Ficamos com idêntico corpo e sangue”. São Cipriano acrescenta: “A nossa união com Cristo unifica os afetos e as vontades”.
Com efeito, no momento da comunhão, Jesus penetra de tal modo em nosso coração e em nossa alma, que se pode dizer que são seus os nossos afetos e pensamentos. Ele, porém, é que os tem, e depois no-los comunica na proporção do nosso amor atual. Se uma alma possui pouco amor, Jesus vê-se como que na necessidade de se acomodar às disposições de tal alma, e restringirá os seus dons. Porém, ao comungante desapegado das criaturas e de si próprio, que se entrega sem reservas; à alma pura que se expande totalmente sob a influência da Hóstia, Jesus se dá, em troca, como só Deus pode fazê-lo: estabelece-se tal comunicação de bens, tal unidade de amor, que supera qualquer expressão humana. A alma vivificada por Jesus torna-se como solo fértil que faz crescerem as flores e os frutos. Concebe pensamentos brilhantes e produz atos fervorosos de amor. Serão estes nossos? Sim, porque provêm da nossa inteligência e do nosso coração, mas da nossa inteligência unida à de Jesus, e do nosso coração unido ao seu, de modo que são tanto d’Ele como nossos. Juntamente adoramos, juntamente amamos e damos graças, juntamente nos oferecemos ao Pai celestial. O seu amor e o nosso, o seu pensar e o nosso efluem tão confundidos um no outro como dois grãos de incenso queimando no mesmo turíbulo e exalando para o céu um único perfume.

“Ó Verbo divino, assim como nosso Pai desde toda a eternidade se infunde em Vós, de tal modo que totalmente vos enche e está todo em Vós, assim Vós, ó Jesus meu, vos infundis em mim e vos tornais uma mesma coisa comigo por íntima possessão de todo o meu ser” (M. Olier).

2. A Comunhão dá-nos Jesus todo

No momento da comunhão ficamos realmente de posse da vida. Possuímos totalmente o Verbo Encarnado com tudo o que é e tudo o que faz; possuímos Jesus homem e Deus, todas as graças da sua Humanidade e todos os tesouros de sua Divindade ou, para falar como São Paulo, a sua “riqueza insondável” (Ef 3,8).
Jesus permanece em nós como homem. A comunhão difunde em nós, portanto, a vida atual celeste e toda gloriosa de sua Humanidade, de seu coração e de sua alma. No céu, os anjos são inundados de felicidade pela irradiação desta vida. Na terra, alguns santos tiveram a visão do corpo glorioso de Jesus. Conta a bem-aventurada Angela de Foligno que conservou de sua visão “alegria imensa, luz sublime, prazer indizível e contínuo, prazer deslumbrante, acima de todos os deslumbramentos”, que “era uma beleza de fazer perder a voz humana”. Com efeito, este corpo glorioso dá-se a nós em alimento, animado por um coração que é abismo de amor, e por uma alma inefavelmente bela, santa, deslumbrante de luz, inundada de vida, de graça, de paz e de alegria, e que é santuário e paraíso de Deus.
Jesus vem a nós como Deus. É o auge da generosidade divina. “Tendo amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1), até às últimas exigências e últimas possibilidades do amor. Participamos, portanto, da vida divina de Jesus, da sua vida como Verbo, como Filho único do Pai. É Ele mesmo que no-lo diz:
“Eu vivo pelo Pai” (Jo 6, 58). Desde toda a eternidade, o Pai dá a seu Filho a vida que possui em seu ser. Dá-lha totalmente, sem medida e com tal generosidade de amor que, embora completamente distintos, não formam mais que uma mesma
Divindade com a única vida que é a plenitude do amor, da alegria e da paz.
É esta vida que recebemos.

“Ó Deus incriado, Deus suavissimamente encarnado, o homem come a vossa carne e bebe o vosso sangue! Fazei que ele se torne um convosco por todos os séculos dos séculos!” (B. Angela de Foligno).

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