quinta-feira, abril 05, 2018

Nossa Fé — Uma força!

Por Richard Gräf, “Bem-aventurados os que têm fome”, pág. 8-9.
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São João escreve: “A vitória que vence o mundo é a nossa fé” (1Jo 5,4). Essas palavras valem também para os nossos dias. Como é possível, porém, que em muitos logo se notem o tédio e o desgosto da fé, deixando essa fé sem força para resistir aos assaltos, ou para os levar a pôr em prática os mais elementares e necessários preceitos da religião? Os destinatários da Epístola aos Hebreus tiveram de sustentar dolorosas lutas, sofreram injúrias e tribulações, definharam na prisão, suportaram com alegria o roubo de seus haveres (10,32 seg.).
Entretanto, São Paulo não lhes tece louvor especial, e declara que devem estar prontos a resistir por sua fé até ao sangue (12,4). Se nossa fé não nos dá mais a força de suportar tudo por ela, isso não é culpa da fé, nem de Deus, mas tão somente nossa. Este livrinho, cujos pensamentos amadureceram sob a influência das circunstâncias atuais, procura dar solução a estas questões.
Falta-nos hoje a fé viva. Não carecemos tanto da aceitação espiritual das verdades eternas; precisamos é de nortear a vontade segundo os ensinamentos da fé, viver de fé, compenetrar nossa vida e todas as suas atividades com a riqueza da fé; em uma palavra, necessitamos da fé prática. Muito se tem dito e escrito sobre a fé; esta, porém, é tratada mais ou menos como virtude, seja mesmo como virtude teologal. Todavia, a fé é muito mais do que mera virtude; é o germe, a raiz, o ponto de partida da verdadeira vida interior. A fé, em nosso conceito, perdeu muito de sua importância fundamental e foi quase eliminada da posição primordial que lhe cabe. Não raro é bem grande a ciência no tocante à fé, a Deus e à Igreja, mas não é nisto que consiste a fé. De que nos serve um vasto conhecimento em matéria de fé, se esta fé for morta? Tão extenso conhecimento da fé não é necessário; muito mais importante é a vida da fé, uma vida que, à semelhança da vida encerrada em uma semente, rebenta o invólucro e tende a desenvolver-se.
Mesmo na ciência teológica, a fé é algo simples, indiviso por ser vital, e todavia superior a todos os conceitos humanos; nem o melhor psicólogo, nem o sábio ou teólogo mais erudito podem compreendê-la e penetrá-la. É significativo que o Salvador atribua o poder de operar milagres à fé “do tamanho de um grão de mostarda” (Lc 17,6). Ele mesmo, em outro contexto (Mc 4,31), designa o grão de mostarda como a menor das sementes. Se com tal fé — tão pequena como um grão de mostarda – já se podem operar milagres grandiosos, transportar montanhas, transplantar árvores (Mt 17,20; Lc 17,6), por certo, com ela também é possível dominar a vida e carregar-lhe os fardos. Que imensa força e poder capaz de vencer o mundo se encerram então na fé que se assemelha, não mais a um grão de mostarda, mas a uma “grande árvore” em pleno desenvolvimento! “Meu justo vive da fé” (Hb 10,38). Sem esta fé viva não podemos atingir a perfeita caridade, nem dominar a própria vida ou ser senhores do mundo. Sem esta fé ficaremos sempre escravos de nosso egoísmo. Só a fé nos oferece a possibilidade de conhecer claramente o meio de conformar totalmente nossa vontade à vontade divina. Desenvolvendo tais pensamentos, este livrinho constitui a base e o remate do “Sim, Pai!”.

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