quinta-feira, outubro 26, 2017

Seguir Cristo: um projeto de vida apaixonante


Por Paulo Monteiro Ramalho, “Seguir Cristo”, p. 13-18.

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As obras de Jesus Cristo foram tão impressionantes que simplesmente levaram os historiadores a dividirem a história do mundo em duas partes: antes do seu nascimento e depois do seu nascimento. 
Nenhum líder deixou até hoje tanta marca, causou tanta impressão aos olhos humanos. Seus gestos, seu olhar, suas palavras e ações ficaram gravadas para sempre no coração dos homens. Para citar apenas uma obra, pois precisaríamos de muitos livros para falar de todas elas, podemos dizer que a maior de todas foi ter trazido à terra a semente para ser criada a civilização das civilizações: a civilização do amor; e ter aberto através do amor as portas para o reino eterno do amor, do amor infinito, na outra vida. Cristo não só trouxe este amor, mas viveu-o em plenitude amando a cada um de nós com o amor mais perfeito que possa existir. Nunca um amor foi vivido e manifestado com tanta grandeza. 
E para Jesus viver este amor, Ele também assentou as suas bases, que são verdadeiramente revolucionárias. O amor nunca foi visto da forma como Jesus ensinou! O amor nunca foi elevado a tamanha altura, a tamanha beleza. Para a sua fundamentação, teve que assentar outra ideia, outro conceito revolucionário, que também nunca foi visto dessa forma: o conceito de dignidade. 
Antes de Jesus Cristo, a dignidade humana era em função da origem, das posses, dos bens que alguém possuía. Dependendo dessas realidades, que podemos chamar “externas”, uma pessoa humana possuía mais ou menos dignidade. 
Jesus, no entanto, irá ensinar algo totalmente novo: não são as realidades externas que determinam a dignidade, mas algo intrínseco a todo homem: o fato de ser filhos de Deus. E, como todos somos seus filhos, todos temos a mesma dignidade; e, mais ainda, uma dignidade sagrada, pois nossa vida é um dom de Deus. Assim, toda pessoa, independentemente da sua origem, das suas posses, da sua condição social, dever ser profundamente respeitada e amada. 
Devido a esse novo conceito, Jesus Cristo olhava e tratava todas as pessoas com o maior amor e respeito, mesmo pobres, maltrapilhos, mendigos, aleijados, pecadores e leprosos. Jesus Cristo não desprezava nem desqualificava ninguém. Cristo não olhava as aparências, a parte externa das pessoas. Nós costumamos, mesmo depois de vinte séculos, julgar o próximo a partir da sua aparência. Deus, ao contrário, vê o coração, e mais ainda: consegue ver o fundo de bondade que há em cada coração, mesmo que esteja apagado. E, como somos seus filhos, ama a todos nós apesar das nossas fraquezas e perversões e nos convida a amar o próximo dessa forma, assim como Ele. 
Tendo em vista esses conceitos, é compreensível que Jesus tivesse uma atenção especial para com os pobres, os doentes e os pecadores, pois estes costumam ser desprezados pelas pessoas.  
Assim, podemos dizer que Jesus se moveu por um único interesse: fazer feliz e salvar os seus filhos. Ou seja, o único interesse de Jesus era fazer o bem. Por isso, São Pedro dirá, fazendo um resumo da sua vida que passou pelo mundo fazendo o bem (Atos 10, 38). Se Jesus tivesse revolucionado apenas o conceito de dignidade, 
isso já seria suficiente para a sua obra ser considerada fora do comum. E se nós vivêssemos para conseguir que todas as pessoas do mundo fossem tratadas com essa alta dignidade, nossa vida se encheria de uma profunda felicidade, nossos olhos brilhariam até não poder mais. 
No entanto, Cristo foi além: revolucionou também o conceito de amor. Pelo conceito de dignidade, todas as pessoas devem ser respeitadas como uma joia preciosa, sagrada. Mas respeitar, que já é um grande passo e pressupõe o amor, ainda não é amar. O amor está em um nível superior. 
Até a época de Cristo o conceito de amor, em todos os povos, praticamente não existia. Qualquer situação era ocasião para a vingança, o ódio e até para o homicídio. Se no próprio povo judeu, que foi sendo formado por Deus ao longo de séculos, a lei que viviam na altura da vinda de Cristo à terra era a lei do talião — que diz “olho por olho, dente por dente”, ou seja, pagar na mesma moeda o que os outros fazem conosco —, imaginem como viviam os outros povos. A Grécia, graças aos seus filósofos, havia avançado um pouco mais no conceito de amor, mas ainda estava muito longe de praticá-lo. 
Cristo instituiu a nova ordem da caridade, do amor, nestas célebres palavras: Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus (João 15, 13). Com essas palavras, Cristo nos mostra, em primeiro lugar, que amar não é só respeitar o próximo, seja ele quem for, considerando-o com um valor sagrado, mas dar-se a ele. Jesus ensina então que o amor é uma doação, uma entrega. E a perfeição do amor é dar tudo, ou seja, dar a vida pelo próximo. Dar o nosso tempo, dar a nossa alegria, dar o nosso coração, dar a nossa inteligência, dar a nossa imaginação, dar os nossos afetos, dar o nosso perdão, dar a nossa compreensão. 
Foi o que Cristo fez por nós morrendo na cruz: deu todo o seu ser por nós. Por isso, no alto da Cruz, Ele disse: Tudo está consumado (João 19, 30). Isto é: entreguei tudo, dei tudo pelos meus filhos. 
Dar a vida por alguém que não fosse da própria família era algo impensável. Jesus estende essa doação total, cabal, a todas as pessoas, pois todos somos irmãos, filhos do mesmo Pai, Deus. E diz também que esta doação deve ser dada - e isso é o mais incrível - àqueles que nos fazem o mal, pois mesmo aquele que nos faz o mal deve ser respeitado e amado, pois é filho de Deus, é nosso irmão. Tendes ouvido o que foi dito: Olho por olho, dente por dente (...) Eu, porém, vos digo: não resistais ao mau (...) Tendes ouvido o que foi dito: Amarás o teu próximo e poderás odiar teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos maltratam e perseguem. 
Deste modo sereis os filhos de vosso Pai do céu (Mateus 5, 38-43). Com estas palavras, Jesus Cristo eleva o amor à máxima condição: uma entrega total ao próximo, seja ele benfeitor ou malfeitor, pois quem ama tem a esperança de que o malfeitor passe a ser benfeitor. Foi também o que Cristo fez por nós, dando a vida tanto para os justos como para os injustos. Este conceito de amor é totalmente revolucionário e abriu o caminho para uma transformação impensável da humanidade. 
Seguir Cristo é fazer as suas obras e, portanto, empenhar-se em que esse conceito de amor se instaure nas famílias, nos ambientes de trabalho, nas relações sociais... no mundo inteiro. Não é apaixonante esse ideal? Já imaginaram uma sociedade onde não haja inimigos e onde todos se esforçam para dar a vida pelos outros? 
A materialização desse amor nos levará também a fazer as obras maravilhosas que Cristo fez na terra: Ora, naquele momento Jesus havia curado muitas pessoas de enfermidades, de doenças e de espíritos malignos, e dado a vista a muitos cegos. Respondeu-lhes ele: Ide anunciar a João o que tendes visto e ouvido: os cegos vêm, os coxos andam, os leprosos ficam limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, aos pobres é anunciado o Evangelho (Lucas 7, 21-22). 
Nós não temos a capacidade de fazer milagres como Cristo fez. Quem sabe alguma vez Ele se sirva de nós para fazer algum milagre como estes que mencionamos acima, mas isso não é o comum. Os santos, essas pessoas que estavam ou estão muito perto de Deus, conseguem arrancar de Deus estes milagres. Mas nós, enquanto não alcançamos um grau muito grande de santidade, o que podemos fazer é, do ponto de vista espiritual, ressuscitar os mortos, fazer os surdos ouvirem, como Jesus também o fez. Por exemplo, fazer: 
uma pessoa morta para o perdão, ressuscitar para o perdão; 
uma pessoa surda para a fé, abrir os ouvidos para a fé; 
uma pessoa cega para a alegria da vida, abrir os olhos para a alegria da vida; 
uma pessoa paralítica no caminho do bem, começar a andar por este caminho. 
Não é grandiosa essa tarefa? Não são milagres aparatosos, mas são verdadeiros milagres espirituais. E não é verdade que podemos ser instrumentos de Deus para realizar esses milagres? Quantos milagres como esses podemos fazer ao longo da nossa vida! Se nos empenharmos nesta missão podemos ser instrumentos de Deus para mudar o mundo, para acender a luz da fé no coração das pessoas, para ajudar as pessoas a seguirem o caminho do bem e do amor, para as pessoas voltarem a encontrar a alegria em suas almas. 
Fazer as obras de Jesus Cristo é também aproveitar cada oportunidade para deixar o amor no coração de cada pessoa, em qualquer ambiente que estejamos: quando estamos com as pessoas no trabalho, na faculdade, na academia, em um passeio, através do whatsapp ou de um email. Por exemplo. Para uma pessoa: 
que está no elevador: vamos cumprimentá-la com alegria; 
que está cansada: vamos contar algo divertido; 
que está triste: vamos animá-la e, se possível, falar de quem dá sentido à nossa vida, que é Deus; 
que está com dor de cabeça ou uma doença: vamos ajudá-la no que for possível e dizer-lhe que pode oferecer esta dor ou esta doença para Deus; 
que está precisando de ajuda: vamos parar tudo e servi-la com alegria; etc. 
Não é isso revolucionário? Não é apaixonante? Não é isso fazer as obras de Cristo?  

Seguindo os passos de Cristo poderemos, como Ele mesmo disse, fazer obras ainda maiores. De fato, em determinados aspectos, alguns filhos seus fizeram obras ainda maiores do que Jesus. Por exemplo, São João Maria Vianney, que é um santo francês conhecido como “Cura D’Ars”, converteu quando ainda em vida, segundo a estimativa de um biógrafo, cerca de duzentas mil pessoas. É quase certo que Jesus não tenha convertido todo este número de gente durante a sua vida, pois seu Pai restringiu sua missão na região da Palestina. Também outros santos, ainda em vida, converteram ou aproximaram centenas de milhares de pessoas de Deus. No entanto com relação à santidade de vida e à obra da salvação realizada com a morte na Cruz, ninguém será maior do que Cristo. 

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