quinta-feira, setembro 07, 2017

Maria, caminho seguro para Jesus

Por Adolphe Tanquerey, “O dogma e a vida interior”, p. 137-140.

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Dando-nos a Maria, damo-nos por ela a Jesus: como ela recebeu tudo Dele, nada guarda para si mesma, mas leva tudo às mãos do seu Filho. Esta doutrina aparecerá com maior clareza se estudarmos a vida de Jesus em Maria.
Veremos que honrar e amar Maria é honrar e amar Jesus, e que o meio mais seguro de nos unirmos ao Verbo Encarnado é procurá-lo na sua Mãe.

A VIDA DE JESUS EM MARIA

A) Jesus viveu em Maria de vários modos.

a) Viveu fisicamente durante nove meses, desde o dia da Anunciação, em que o Verbo encarnou no seu seio virginal, até ao dia de Natal em que, saindo como um raio luminoso do seu seio, veio até às suas mãos antes de repousar sobre umas palhas. Durante este tempo, Jesus foi uma fonte de santificação para a humilde Virgem de Nazaré. Com efeito, se os sacramentos nos santificam, porque são a causa instrumental da graça, quanto mais a presença continua do Deus de toda a santidade, numa pessoa tão bem-disposta como Maria? Mas não se trata desta presença, que cessou com o nascimento do Homem-Deus.
b) Viveu sacramentalmente em Maria pela sagrada comunhão. O discípulo amado, que Jesus lhe deixou como capelão, deu-lhe muitas vezes, todos os dias sem dúvida, esse Filho ternamente amado, do qual ficara separada desde o dia da Ascensão. E quem poderá narrar os doces colóquios, as piedosas expansões de Mãe e Filho no momento da comunhão, e os efeitos maravilhosos da graça produzidos na alma da Santíssima Virgem pela ação santificadora d’Aquele que é a fonte de toda a santidade? Mas esta presença sacramental findou com a última comunhão de Maria na terra; não se trata, pois, dela.


B) Jesus viveu e vive em Maria de uma maneira mais íntima, mais profunda e permanente; viveu misticamente, como Cabeça do corpo místico de que todos os cristãos são membros, como já explicamos. Mas vive nela num grau muito superior, Maria ocupa neste corpo o lugar mais honroso, sendo ao mesmo tempo a mãe de Jesus e nossa mãe.
Jesus vive nela pelo Espírito Santo, que Ele comunica a sua Santa Mãe, a fim de que este Espírito produza disposições semelhantes às da alma humana de Jesus. Em virtude dos méritos e preces do Salvador, o Espírito Santo, santificou e glorificou Maria de tal forma, que ela se tornou a sua mais perfeita cópia viva.
É o que assevera explicitamente Mons. Olier: O que o Senhor é para a sua Igreja, é por excelência para com a sua Mãe. Assim, Ele é a sua plenitude interior e divina e, como Ele se sacrificou mais particularmente por ela, dá-lhe a vida de Deus mais do que a qualquer outra criatura e lha dá mesmo por gratidão e em reconhecimento pela vida que dela recebeu.
Tendo prometido aos seus membros retribuir um por um o que recebeu da sua caridade sobre a terra, quer também dar à sua Mãe o cêntuplo da vida humana que recebeu do seu amor e piedade. Esse cêntuplo é a vida divina infinitamente preciosa e inestimável. Importa, pois, considerar Jesus o nosso tudo, vivendo na Santíssima Virgem na plenitude da vida de Deus, tanto da que recebeu do Pai como da que adquiriu e mereceu para os homens pelo ministério da vida de sua Mãe. É nela que convém ver todos os tesouros das suas riquezas, o esplendor da sua beleza e as delícias da vida divina. Jesus habita nela em plenitude; opera nela pela extensão do seu Divino Espírito; não é mais do que um só coração, uma só alma, uma só vida com ela[1].
Pode dizer-se, com toda a verdade, que as virtudes de Maria não são mais do que o reflexo das virtudes de Jesus, e que imitar a Mãe é imitar o Filho, pois, com mais propriedade do que São Paulo, ela pode dizer: Eu vivo, mas não sou eu que vivo, é Jesus que vive em mim (Gl 2, 20).
Ora, se Jesus vive em Maria em plenitude, não é apenas para santificá-la, mas para santificar por ela os outros membros do seu corpo místico: ela é, diz São Bernardo, o aqueduto pelo qual chegam até nós todas as graças que nos mereceu seu Filho.
É, ao mesmo tempo, muito agradável a Jesus e útil para as nossas almas, que nos dirijamos a Jesus vivo em Maria, a fim de conseguirmos participar das suas virtudes. Que pode haver de mais agradável para Jesus do que ir procurá-lo sobre esse trono de graça, no meio dessa fornalha de amor?
Que fonte mais abundante de graça e de vida, que esse lugar em que Jesus habita como na fonte da vida dos homens e na mãe-nutriz de sua Igreja?
Digamos com Mons. Olier: Eu te adoro, Senhor, a ti que estás vivo na tua santa Mãe. Adoro as tuas grandezas e perfeições refletidas na alma de Maria. Adoro o teu reinado sobre ela e o poder absoluto que governa todo o seu ser. Adoro a tua vida, que enche e anima o seu coração e todas as suas faculdades. Adoro a abundância dos dons, a plenitude das virtudes e a fecundidade das graças que lhe dás para que ela as dê a tua Igreja. Senhor, reinai nela e em nós por ela para sempre[2].




[1] Journée chrétienne, págs. 395-396.
[2] Journée chrétienne, pág. 327.

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