quinta-feira, julho 13, 2017

A alegria que nos foi dada

Por Vicente Bernadot, “Da Eucaristia à Santíssima Trindade”, p. 65-67.


“Alegrai-vos, portanto, incessantemente no Senhor! Repito: alegrai-vos (Fp 4, 4). Deus criou-nos a nós, seus filhos, para a alegria. E tudo tem feito para que nela vivamos. O que é a criação, o que é a santificação senão instrumentos para a felicidade natural ou sobrenatural e efusão da alegria divina?
O que é a eucaristia senão inesgotável manancial de alegria transbordante para a Igreja e para cada alma? Jesus quer que vivamos na alegria. Ele a pediu na sua oração derradeira: “Pai santo, que eles tenham em si a minha plena alegria” (Jo 17, 13).
A própria dor deve se transformar em alegria. A alma santa de Cristo simultaneamente vivia em imensa alegria e em imensas dores. Em suas faculdades inferiores, ela se abismava em extrema agonia; pelas superiores, penetrava na jubilação divina. A alegria, porém, dominava qualquer outro sentimento: nela se desfaziam todos os seus sofrimentos e imolações, pois Jesus sabia que, quanto mais penosas estas fossem, tanto mais glória dariam a Deus e maior exaltação preparariam para a sua Humanidade.
Assim, a nossa alma pode encontrar-se ao mesmo tempo desolada e alegre: desolada em sua atuação inferior, que se avizinha dos sentidos; alegre na superior, que somente a vontade dirige. Nas próprias horas mais acabrunhadoras, não é somente a dor que nos habita, mas também Aquele que consola: “Rogarei ao Pai e Ele vos dará um Consolador para que fique eternamente convosco. É o Espírito da Verdade, que permanece em vós” (Jo 14, 16s).

Permaneçamos na alegria, que é permanecer no Espírito Santo. Lembremo-nos de que a comunhão nos imerge nAquele a quem santa Catarina de Sena comprazia-se em chamar Oceano da paz: “Ó Deus eterno, dizia ela, sois o Oceano remansoso, onde vivem e se nutrem as almas. Ali encontram repouso na união do amor”.

A alegria é culto a prestar a Deus. Ela é o barômetro da alma: a sua graduação indica a do amor. A Igreja, representação sublime da alma, nunca deixou de alegrar-se em sua provação perpétua e em suas perseguições. A sua liturgia é uma festa renovada diariamente. Ela enumera os seus dias pelas suas festas; vive na dor, mas com os olhos no céu, cantando as perfeições e o amor do Esposo. Ela vive na alegria: alegria franca, viril e serena, fruto do amor.
O cristão é um semeador de alegria e por isso é que faz maravilhas. A alegria constitui uma das mais irresistíveis forças no mundo: ela acalma, desarma, conquista, atrai. A alma jovial é apóstola: atrai as outras para Deus ao mostrar-lhes o que produz nela a presença de Deus. É por isso que o Espírito Santo nos dá este conselho: “Não estejais contristados porque a alegria no Senhor é a vossa fortaleza” (Ne 8, 10).

Alegria e júbilo a vós sejam dados, em meu nome, ó Deus de minha vida, pela soberania da vossa Trindade, pela essencial união da vossa substância, pela propriedade de vossas Pessoas, pela sua união e íntimas relações, fonte de nossa inefável felicidade!
Alegria e júbilo a vós pela vossa incompreensível imensidade, pela vossa imutável eternidade, pela vossa suma santidade, incompatível com qualquer mancha e que é fonte de toda a pureza, e pela vossa gloriosa e absoluta felicidade.
Alegria e júbilo a vós, pelo corpo puríssimo de vossa Humanidade, com a qual me purificastes; pela vossa alma augustíssima; pelo vosso Coração divino que o amor dilacerou por mim até à morte!
Alegria e júbilo a vós neste Coração amantíssimo e cheio de terna solicitude para comigo, tão laborioso em seu amor por mim, que não descansará enquanto não me receber em si mesmo para toda a eternidade!
Alegria e júbilo a vós pelo digníssimo coração e alma da gloriosa Virgem Maria, vossa Mãe, que vós me destes por mãe, nas necessidades da minha salvação, patenteando-me para sempre o tesouro de sua bondade maternal!
Alegria e júbilo a vós por todas as vossas criaturas, que habitam o céu, a terra e as imensidades! Que elas vos louvem com aquele louvor eterno que de vós procede e a vós retorna como a seu princípio!

Alegria e júbilo a vós por meu coração e minha alma, por meu espírito e meu corpo, por todos os seres do universo. A vós de quem todas as coisas procedem, por quem todas as coisas existem, em quem todas as coisas estão, a vós só honra e glória pelos séculos! Amém!” (Santa Gertrudes).

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