quinta-feira, junho 01, 2017

Abandonar-se em Deus

Por Eugene Boylan, “Amor sublime”, capítulo XV.

 
A regra de vida para todo o católico que quer viver a sua vida plenamente é procurar Cristo e unir-se a Ele por meio da oração diária, por meio da leitura e meditação diárias, pelo uso frequente dos sacramentos, especialmente o da Sagrada Eucaristia, e pelo cumprimento da vontade de Deus. Para alcançar a santidade, não é necessário elaborar um programa mais elevado. Todo aquele de quem se puder dizer, à hora da morte, que “fez a vontade de Deus” é perfeito.
E devemos ser claros neste ponto: não há outra forma de alcançar a perfeição. Todos os exercícios de religião aos quais nos referimos — a oração, a leitura espiritual, os sacramentos, a comunhão diária, a missa —, embora sejam santos em si, são apenas meios para um fim. O seu uso e a sua prática, embora frequentes e fervorosos, não constituem a santidade. São grande auxílio para a santidade, mas esta é uma coisa inteiramente diferente. A santidade afeta todos os momentos da nossa vida, e sua raiz se encontra no mais íntimo do nosso ser. É uma união permanente com Deus, é uma fidelidade constante a Cristo, que se manifesta pelo cumprimento da Sua Vontade sempre e em tudo.
Só isto pode tornar a nossa vida proveitosa. Vemos os santos exaltados pelas suas grandes obras; falam-nos do seu talento, da sua capacidade de organização, da agudeza do seu entendimento, da excelência das suas opiniões, da sua habilidade literária e do seu saber profundo.

São famosos pela sua ingenuidade, pela sua originalidade, pelas suas iniciativas, pelos seus milagres, pelo seu zelo apostólico e poder sobre as almas. Em uma palavra, são-nos apresentados como grandes homens e grandes mulheres. E, assim, somos tentados a pensar que a posse ou realização de tal grandeza, se não é a própria santidade, é pelo menos uma parte essencial dela. A verdade, porém, é absolutamente diferente. De fato, alguns santos eram dotados desses dons, mas nada disso constitui a santidade, porque esta, conforme nos foi revelado pelos ensinamentos e pelo exemplo de Nosso Senhor, consiste em viver em união com Ele pela fé, pela esperança, pelo amor, pela humildade e pelo abandono completo à Sua Vontade. É importante considerar o cumprimento da Vontade de Deus sob o ponto de vista das práticas diárias.
A revelação primária da vontade de Deus está nos Seus mandamentos, nos mandamentos da Santa Mãe Igreja e em todas as leis justas e deveres verdadeiros que nos obrigam à ação: “Todo poder vem de Deus”. Todas as vezes que a autoridade legítima emite ordens legais, a fé ouve aí a voz de Deus.
O primeiro passo para o cumprimento da vontade de Deus é evitar o pecado mortal. Quando o pecado mortal se converte em hábito contra o qual não se procura combater, não há vida espiritual. Essa alma está morta. Qualquer pessoa que se encontre nesse estado tem necessidade urgente de fazer uma boa confissão e de se decidir a combater corajosamente os seus maus hábitos. Essa luta pode não ser fácil; é possível até que torne a cair; mas deve tomar a firme resolução de, no caso de tornar a cair, não se conservar nesse estado e cumprir inflexivelmente esse propósito. O pecado mortal deve ser considerado o maior mal possível e deve ser evitado a todo o custo. Sobre esse ponto não se pode transigir.
O seguinte grau do progresso é o daquele que normalmente só tem pecados veniais para confessar. Aqui o plano deve ser atacar qualquer mau hábito que tenhamos de cometer certo pecado venial em especial. Um exame diário de consciência é uma forma excelente de nos libertarmos desses maus hábitos. Se em cada ano conseguirmos libertar-nos de um desses hábitos, já é um avanço considerável, porque o estado geral de saúde da alma melhorará muito em consequência dos nossos esforços para extingui-lo, ainda que seja só um mau hábito. Verificaremos então que os outros maus hábitos vão cedendo, e que a primeira batalha é a mais difícil de ganhar. Vencida esta, já percorremos meio caminho para vencermos a seguinte.
A etapa seguinte verifica-se quando não se cometem usualmente pecados veniais deliberados, e quando se cometem, é mais por causa da fraqueza momentânea do que do propósito de não se evitarem certas faltas só “porque são pecados veniais”. O propósito de nunca ofender a Deus deliberadamente forma-se em resultado da leitura, da reflexão e do contato diário com Deus por meio da oração. Este propósito contribuirá muito para fornecer uma regra positiva de ação para cada dia. Mas, se uma alma tem grandes desejos de procurar a Cristo e viver a Sua vida, aspirará receber qualquer indicação da vontade de Deus que lhe sirva de norma para todo o dia.

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