quinta-feira, janeiro 05, 2017

Um Menino e sua Mãe

José Schrijvers, “Jesus entre nós”, p. 14-16.


Quem poderá compreender a imensa compaixão experimentada pelo divino Pai ao enviar ao mundo o Filho único para aí levar vida tão amarga e sofrer tão ignominiosa morte?
Exilava-se por obediência o Filho ternamente amado, para habitar em meio de pecadores. Deus-Pai, em sua sabedoria e bondade infinitas, não podia deixar sem compensação tão imenso sacrifício, e por isso lhe deu uma Mãe.
Rodeado no céu de legiões de anjos que o adoravam e o amavam, o Filho de Deus encarnado encontrará aqui na terra uma sublime criatura que ultrapassará em santidade e em inocência a todos os anjos do céu, e que pela sua ternura e compaixão o compensará de todas as ingratidões dos homens.
O primeiro momento em que a virgem de Nazaré inesperadamente surpreende-se diante de incompreensível mistério: um Deus que se vai fazer homem! E esse prodígio realizar-se-á no seu seio virginal!

A Imaculada Virgem sentiu-se em inefável contato com a Divindade: o Espírito Santo cobrira-a com sua sombra, e o Verbo fizera-se seu filho.
Após esses primeiros momentos de intensa e divina emoção, quando já desaparecera o Arcanjo, e para ela parecia ter baixado o véu sobre o insondável mistério, quais seriam as reflexões que lhe surgiram em alma tão pura e tão acessível ao divino?
Ela assistiu, humilde e silenciosa, cheia de admiração e de gratidão a esse prodigioso aniquilamento de um Deus habitando em seu seio e aceitando passar por todas as fases de inércia, até o momento de nascer e de tomar seu lugar entre os homens.
Todavia, a Santíssima Virgem, que lia a Escritura Sagrada, pressentiu ao mesmo tempo que esses aniquilamentos de seu Filho seriam seguidos de outras humilhações, e momento viria em que os homens que Ele viera salvar lhe infligiriam tormentos indizíveis, crucificando-o sob as suas vistas.
E compreendeu também que o imenso esforço de um Deus para aproximar-se da sua criatura e retirá-la da lama do pecado seria em grande parte destinada, pela malícia dos homens, a lamentável derrota: veio para o que era seu, e os seus não receberam (Jo 1,11).

Então irrompeu do peito da Mãe de Deus um brado de inefável amor e de dolorosa compaixão: “Meu Divino Filho, a tal ponto amastes os homens, e eles não vos pagarão tanta bondade senão com ultrajes e torturas; deixai-me amar-vos por eles todos e reparar as suas ingratidões: ofereço-me a Vós para participar de todas as Vossas tristezas e amargas decepções”.
Jesus, graças a tanta humilhação, fizera a Sua primeira conquista: ganhara para a causa da Redenção pela Cruz, a alma da Virgem Imaculada, sua própria Mãe, e bem sabia que essa Virgem Fiel iria com ele até ao Calvário, sujeitando-se a todos os opróbrios e a todas as ignomínias.

E, simultaneamente, graças aos seus aniquilamentos acabara de formar a corredentora dos homens. Não somente a Divina Mãe envolvê-lo-á num amor compassivo durante toda a sua vida e até à morte, mas suscitará, no decorrer dos séculos, milhões de almas que se deixarão fascinar pelos encantos mis­teriosos da Cruz, e Ela os assistirá com o seu Perpétuo Socorro em todas as provações da vida. Ensinar-lhes-á a unirem-se ao Divino Crucificado para ser como Ele vítimas, e assim salvarem as almas de seus irmãos.

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