segunda-feira, outubro 03, 2016

A semente da fé

“Bem-aventurados os que têm fome”, Richard Graf, p. 44-46


Quando uma semente é lançada na terra, o princípio do crescimento acha-se na semente e não no solo. Depende da semente o que dela nascerá: centeio, trigo, cevada, segundo a própria espécie. Mas a semente, sem a terra, não pode crescer nem produzir fruto. O mesmo acontece entre Cristo e nós. A santa comunhão, alimento do Cristo místico, opera por si mesma.
Mas depende também de nossa cooperação. O Salvador nada pode fazer, quando a terra não é fértil. Em deserto de areia, árido e calcinado, ou em solo pedregoso, a melhor semente não pode brotar. Não devemos matar à força de golpes nossa natureza, nem aniquilá-la ou reduzi-la a lugar deserto.
Cristo precisa de nossa natureza para crescer e desenvolver-se até à maturidade. De nós, em nós, por nós deve Cristo ressurgir. Ele tomará de nós o que precisar, se a ele totalmente nos abandonarmos. Se, porém, persistirmos em nossa vontade própria, crescerá então o nosso eu e não ele. Um dos dois há de crescer em mim, ele ou eu: “Convém que ele cresça e eu diminua” (Jo 3,30).
A terra mais fértil e apta é incapaz de contribuir para o crescimento; apenas pode abrir-se totalmente e estar pronta a receber a semente. Por si mesma a semente retira do solo tudo o que é necessário ao crescimento e desenvolvimento segundo sua espécie. Se houver no solo certas condições desfavoráveis, o crescimento da planta se verá impedido. Em terreno calcário, por exemplo, não vicejam muitos tipos de plantas. Quanto mais o homem se mostrar sereno, pronto e aberto para a fé, quanto mais confiar sua vida à divina Providência, quanto menos se preocupar com o dia de amanhã e com o futuro, tanto mais rapidamente Cristo nele crescerá. Quanto mais somos nós que desejamos, queremos e decidimos, tanto mais seu crescimento é entravado. Se somente Cristo for o nosso grande desejo, nosso anelo, ele será também espontaneamente a nossa ação.

A comparação da árvore


Sob a mesma imagem, mas considerada de outro ponto de vista, podemos reconhecer claramente que Cristo e o homem devem trabalhar juntos. Não é a raiz, nem o tronco, nem os galhos, a cortiça ou a seiva que dão vida à árvore. A vida é algo misterioso, invisível, impalpável; mas, sem a raiz, o tronco nada pode realizar. Quanto melhores e maiores forem as raízes, o tronco, os galhos, os ramos, tanto mais pode a vida expandir-se na planta.
A misteriosa seiva vital da planta apodera-se do carbono e do azoto ocultos no solo e os eleva a um nível de existência superior; de elementos mortos surge algo vivo. De igual modo, a vida divina em nós apossa-se de tudo o que é nosso ou que entra em contato conosco, divinizando-o. Para sua construção, Cristo não precisa das energias físicas do homem, mas somente da entrega de nossa vontade. As deficiências naturais, falhas e fraquezas de nosso temperamento não serão eliminadas.
Tais disposições permanecem as mesmas, em germe, ao lado da mais alta santidade. São apenas privadas de alimento, quando a vontade nelas não mais influi, mas totalmente se entrega a Cristo e a seu serviço. Tudo o que retivermos por egoísmo não será transformado. Só na medida em que o oferecermos, efetuar-se-á a transformação. Quanto melhor for o solo e maior a árvore, tanto mais excelentes serão os frutos.
Da morte nasce a vida. O Salvador é nosso fruto, pois todos os membros cooperam para a estrutura do Corpo místico de Cristo; na verdade, ele é nosso fruto e também a nós se aplicam as palavras: “Bendito é o fruto de vosso ventre, Jesus”.

Por isso, só com a nossa ajuda pode ele crescer e desenvolver-se. Quanto mais renunciamos a nós mesmos e nos entregamos, tanto mais ele cresce – nem mais, nem menos.

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