sexta-feira, agosto 26, 2016

Caráter

Por James B. Stenson, “Pais bem-sucedidos”, pág. 8-11.

Ao longo deste texto, utilizaremos muitas vezes o termo “caráter”, que representa um conceito essencial nesta matéria. Como poderemos defini-lo?
Há uma definição que se vem mostrando especialmente útil: caráter é simplesmente a integração, na personalidade, de determinadas qualidades fundamentais da inteligência e da vontade. E essas qualidades são algumas atitudes e hábitos internos, constantes, permanentes, que permitem à pessoa enfrentar a vida em todas as suas circunstâncias, e que costumam receber o nome de virtudes, fé, esperança, caridade, prudência, justiça, fortaleza e temperança. Se estes termos lhe parecem familiares, é porque você já os ouviu na infância. Durante séculos, foram usados para descrever como deve ser o cristão maduro. Seja como for, quer lhes demos o nome de virtudes, quer simplesmente o de qualidades do caráter, compreendem a essência daquilo que admiramos em muitas pessoas — uma personalidade bem formada.
Mesmo que não usemos com muita frequência esses termos, costumamos ter uma noção razoável do seu significado, e julgamos as pessoas que conhecemos, em especial os jovens, pela presença ou ausência dessas qualidades. Vale a pena, portanto, repassarmos brevemente a definição de cada uma.
Fé: é a crença ativa em Deus e nas coisas que Ele revelou acerca de Si mesmo, da sua Igreja, da sua justiça e da sua graça, e do sentido da vida aqui na terra e, depois, na eternidade.
Esperança: é a confiança em que Deus nos dará os meios de salvação, e em que a sua Providência amorosa cuida de nós durante toda a vida, o que significa que não há sofrimentos insuportáveis. O símbolo tradicional da esperança é a âncora o laço de união com Deus que nos mantém firmes nas tempestades da vida. E esta fonte de segurança que tantos jovens de hoje buscam desesperadamente sem conseguir encontrá-la.
Caridade: é o amor soberano a Deus, um amor que modela e dirige todos os outros amores — o amor à mulher, aos filhos, aos amigos, aos estranhos e até aos bens materiais. Na prática, é a principal virtude cristã: uma compreensão compassiva das outras pessoas, que reproduz o amor que Deus tem por todos nós.

Prudência: é o que hoje se costuma chamar “bom senso”, “sensatez” ou “juízo seguro”, ou seja, a capacidade de fazer todas as distinções importantes para a vida: entre o certo e o errado, entre o verdadeiro e o falso, entre o fato e a opinião, entre a razão e a emoção, entre o eterno e o transitório. É, em poucas palavras, o realismo de quem tem os pés no chão e sabe identificar a mera conversa-fiada quando topa com ela. Consequência e pressuposto importante desta virtude é ter uma consciência bem formada.
Justiça: é o que chamaríamos “senso de responsabilidade”, isto é, a disposição de dar aos outros o que lhes é devido. E o sentido do dever que leva a reconhecer os direitos dos outros, incluindo-se aí os de Deus. Até certo ponto, é precisamente esta qualidade o sinal mais claro de que se atingiu certa maturidade moral. Maturidade é responsabilidade.
Fortaleza: é a firmeza pessoal, isto é, a disposição a capacidade de enfrentar as dificuldades sempre que ia possível, ou de resistir-lhes quando não for possível. É a força necessária para superar ou para suportar os sofrimentos, as frustrações, os inconvenientes, a dor. É o oposto do escapismo, atitude tão comum nos nossos dias. A fortaleza é virtude essencial a todo o amor verdadeiro, pois o amor não é apenas um conjunto de sentimentos, mas a capacidade e o desejo de abraçar as dificuldades pelo bem de outra pessoa.
Temperança: é o autocontrole, a disciplina, o controle da razão sobre as paixões e os apetites, a capacidade de impor restrições a si mesmo por amor a um bem maior. E o oposto da “auto-indulgência” — também esta tão comum hoje em dia —, da busca contínua do prazer e do conforto como fins em si mesmos.
Quando todas estas qualidades são plenamente assumidas e se integram no modo como uma pessoa encara a vida, diz-se que essa pessoa tem um caráter bem formado. Todos os demais traços admiráveis que encontramos nos outros, como por exemplo a laboriosidade, a piedade ou a delicadeza, provêm direta ou indiretamente destas virtudes.
Certo pensador resumia-o com agudeza: “Caráter é aquilo que sobra depois que fomos à falência”. E a nossa personalidade, menos o nosso dinheiro e menos os bens materiais.
E como é que os jovens adquirem essas qualidades?
A experiência mostra-nos com toda a clareza que não as adquirem naturalmente ou com facilidade, e que certamente não nascem com elas. Todos nós, jovens ou velhos, alcançamos essas virtudes depois de nos termos esforçado muitos anos por vivê-las. Aprendemo-las mediante as palavras dos outros e, mais ainda, me diante o seu exemplo. Desde a mais tenra infância adquirimo-las imitando as pessoas cujo caráter admiramos e, sobretudo, os nossos pais. Portanto, o caráter é algo que as crianças adquirem principal e mais profundamente pelo contato com o pai e a mãe.

Se por alguma razão os jovens não aprendem esses valores dos seus pais, normalmente crescerão sem eles. Estarão perdendo algo de fundamental importância para as suas vidas, e acabarão por reter ao longo de toda a existência a fragilidade da infância: continuarão sempre egoístas, imaturos, irresponsáveis, autocomplacentes, sem confiança em Deus e em si mesmos.

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