quarta-feira, maio 18, 2016

A ficção do divórcio

Por Alfonso Basallo e Teresa Díez, “Um pijama para dois”, p. 153-154.

Casados há quase trinta anos e pais de oito filhos, o casal espanhol Alfonso Basallo e Teresa Díez, em seu livro “Um pijama para dois”, falam de matrimônio, divórcio, e da admirável loucura da entrega total por amor.

E não há nada mais fast-food, mais precipitado e imaturo que o divórcio. A tentação de chutar o pau da barraca é hoje mais forte por conta de uma legislação demagógica que contribuiu para semear a infelicidade por toda parte. É como o cavalo de Átila: onde pisa já não nasce mais grama. O divórcio não resolve nada e só serve para converter o drama em tragédia. E não resolve nada porque é uma ficção.

Vejamos: dois casados são uma só pessoa, o famoso índio sioux Uma-só-carne. E os cônjuges continuarão assim, mesmo que peçam o divórcio. E mesmo que cada um vá para seu canto. Passarão a levar uma vida amputada, despedaçada, como um aleijado da alma.
E já não estávamos despedaçados antes? Não é melhor deixá-lo antes de continuar com uma farsa? Não, porque vocês não estavam despedaçados: eram “uma só carne”. Não se tratava de um teatrinho, mas de “uma só carne”.
Leia as palavras de Chesterton: “A verdade é que uma mulher comum e boa é parte do seu marido, mesmo que o deseje ver no fundo do mar. Não importa se vivem tempos amigáveis ou enfadados, felizes ou miseráveis: a coisa segue seu caminhar. [...] Juntos, são uma nação, uma sociedade, uma máquina. São uma só carne, ainda que não sejam um só espírito.”


O casamento é maior que vocês. A união forjada pelo seu “sim” não depende do seu estado de ânimo, dos seus desejos ou sentimentos.
Você se lembra do exemplo do aprendiz de feiticeiro? O “sim” é tão forte que começou a andar sozinho e tem vida própria. Escapou das suas mãos, por assim dizer.
– Mas que injustiça! Tenho mesmo que viver com essas correntes tão pesadas? – perguntou-me uma vez um casado cansado.
E lhe respondi com outras duas perguntas:
– Quem forjou livremente essas correntes? Quem disse “sim”? Daí a importância capital de pensar bem. Daí a importância capital da escolha do cônjuge. E de encarar o namoro como uma etapa crucial e não como um divertimento.

Os autores

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