quinta-feira, agosto 06, 2015

Daniel-Rops: uma breve biografia




Henry Jules Charles Petiot, filho de um oficial militar, nasceu em Épinal (França), no dia 19 de janeiro de 1901. Quando tinha poucas semanas de vida, seus pais se mudaram para Grenoble, nos Alpes, onde ele cresceu e morou até se formar em história, geografia e direito, em Lyon, no ano de 1922. Posteriormente mudou-se para Tresserve, na Savoia. Aos seus antepassados, todos camponeses de diversas regiões da França, Henry confessou dever a sua energia e a sua capacidade de aplicação em cada trabalho, que nele são tão fortes. Casou-se com Madeleine Bouvier em 1924, e com ela adotou um filho, Francis. Tornou-se professor de história, com apenas 21 anos, para ter uma fonte de renda, e ensinou no Liceu de Chambéry, de 1923 a 1928, no de Amiens, de 1928 a 1930, e no de Neuilly Sur Seine, de 1930 a 1944, quando se aposentou. Foi professor durante vinte anos, e abandonou o ensino definitivamente em 1945 para dedicar-se somente à carreira de escritor.
Na realidade, quando era ainda muito jovem, seu desejo era ser literato. Tornou-se professor porque sabia que, como escritor, os rendimentos seriam muito precários. Com doze anos escreveu seu primeiro romance, um romance histórico, e aos dezesseis anos quatro ou cinco obras já estavam concluídas. Foi inspirado numa personagem dessas breves histórias que Henry adotou o pseudônimo Daniel-Rops, utilizando-o em todas as suas obras posteriores. Esses primeiros trabalhos, no entanto, foram lançados ao fogo. Em 1926 foi publicado o seu primeiro livro, e desde então seu trabalho como escritor intensificou-se. Primeiro em Neuilly, depois em Tresserve, continuou a escrever. Chegou a produzir mais de cinquenta livros, algumas brochuras e inumeráveis artigos.


Daniel-Rops, que tinha sido educado como católico romano, por volta dos anos 1920 havia se tornado agnóstico. Em Notre inquiétude, seu tema era a perda de sentido e de direção por parte da humanidade num mundo cada vez mais industrializado e mecanizado. Ao considerar a miséria e a injustiça social à sua volta, e a aparente indiferença dos cristãos para com aqueles a quem chamavam seus irmãos, ele questiona se o Cristianismo ainda seria uma força viva no mundo. As alternativas, entretanto, não pareciam nada melhores. O marxismo, por exemplo, dizia preocupar-se com o bem-estar material do povo, mas ignorava as suas necessidades não-materiais, o que, para Daniel-Rops, era inaceitável.  Na década de 30 ele retornou para a Igreja Católica, tendo percebido que, apesar das deficiências dos cristãos, somente através do Cristianismo era possível conciliar a era tecnológica com as necessidades humanas mais íntimas.
Daniel-Rops foi romancista e ensaísta até o ano de 1939, quando, de repente, orientou-se para uma direção totalmente nova, a da história religiosa. Ele próprio explicou que, quando foi convidado por seu amigo e historiador Octave Aubry, em janeiro de 1942, a escrever um volume de história para uma série que ele estava editando, ficou na dúvida quanto ao tema que escolheria. Isso foi na época em que Nazistas forçaram os judeus a usar a estrela amarela para distingui-los das demais pessoas. Diante desta atitude Daniel-Rops confessou ter ficado furioso, pois tinha muitos amigos judeus, e foi então que decidiu escrever sobre a história de Israel. Assim surgiu a sua “História Sagrada”, publicada no primeiro dia de julho, no ano de 1943. Vinte dias depois os nazistas confiscaram a obra e a destruíram a mando da Gestapo.
Desde então, essa série histórica tornou-se sua preocupação constante. Escreveu “Jesus em seu tempo” e, a seguir, inúmeros livros sobre o cristianismo, do século I até o século XX, coleção que certamente teria aumentado se a sua morte não tivesse interrompido os trabalhos. Como ele próprio confessou, se soubesse que escreveria sete mil páginas, teria, sem dúvida, hesitado em assumir a tarefa.

Daniel-Rops foi também consultor literário de uma editora, e editor-chefe da Editora Fayard, em Paris. Em 1946, recebeu o Grande Prêmio da Literatura da Academia Francesa, e tornou membro desta em 1946, ocupando a cadeira de Édouard Le Roy. Em 1948, foi sagrado Cavaleiro da Legião de Honra pelo Governo francês. Faleceu em 27 de julho de 1965.
O Cultor de Livros vende alguns dos títulos de Daniel-Rops:
"Nocturnos": http://bit.ly/nocturnos-daniel-rops
Outros livros: http://bit.ly/daniel-rops

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